OBS.4s: observações quadradas para um mundo redondo sobre um Deus triúno!

06/02/15

Submissão ao Senhor

Aefe Noronha
Preso a um corpo ansioso
presa minha alma definha
É a Tua vontade melhor do que a minha?
Fiel a Cristo descanso
Fiel minh' alma alumia
É a Tua vontade melhor do que a minha!
Presa minha vida a Cristo
Fiel à Glória caminha
Pois a Tua vontade é melhor do que a minha

21/09/14

A tragédia da cegueira - Jo.9


André Filipe Aefe Noronha

Ensaio sobre a cegueira é uma ficção de José Saramago, que nos apresenta um cenário trágico causado por uma cegueira universal, e nos mostra as misérias que podemos fazer quando não somos vistos. Certamente, a deficiência que é alvo da crítica de Saramago não era a cegueira física. Jesus Cristo nos ensina qual é essa trágica cegueira.
Jesus havia curado um cego no dia de sábado, e segundo as regras criadas pelos fariseus, através de uma distorção da lei de Moisés, eles desejavam condenar Jesus. Os fariseus criaram um tumulto em torno do cego, impondo medo sobre os discípulos de Jesus (v.22), além de lançarem terríveis injúrias contra o próprio cego (v.28,34). Embora não fossem cegos, os fariseus não conseguiam enxergar quem era Jesus. Mais do que ninguém, a eles tinha sido dada a Lei de Moisés, que testemunhava de Jesus e do Filho do homem que restauraria a vista aos cegos (v. 40-41). Mas eles não enxergaram Jesus e o viam como uma ameaça ao seu poder. Quão terrível é a cegueira espiritual!
Mas quantas bênçãos traz Jesus àqueles que O conhecem! O cego deste texto era um pobre coitado, abandonado pela família (v.21-22), desprezado pela sociedade (v.8-9), um mendigo em torno do tanque de Siloé. Mas, vestido de urgente misericórdia, Jesus nos ensina que não existe dia de descanso para a compaixão e a evangelização (v.4). Jesus cura aquele pobre homem no sábado, restaurando sua visão.
Aquele homem teve sua vida radicalmente transformada com um encontro com Jesus. Então, quando Jesus é acusado de pecador pelos fariseus, o ex-cego, que era um desconhecedor da lei, dá um lindo testemunho da manifestação da Obra de Deus (v.3): “Não sei se Ele é pecador ou não. Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo!” (v.24).
Mas Jesus, em sua completa compaixão, não o deixou sem conhecê-lO completamente. A sua visão ainda era parcial. Para aquele ex-cego, Jesus ainda era apenas um profeta (v.17). Finalmente, Jesus se revela a Ele como o Filho do homem, e o ex-cego passa a ver além do que os olhos dos fariseus poderiam ver. Ele passa a crer em Jesus Cristo: “‘Senhor, eu creio’. E o adorou” (v.38).

Há um mundo mergulhado em trevas que não consegue vislumbrar a glória do Filho do Homem. Esta é a mais trágica de todas as cegueiras. Mas Jesus, a luz do mundo, enquanto é dia, não descansa para alcançar seu coração através de sua Palavra. Creia em Jesus, a luz do mundo.

15/09/14

Missões: a paciência de Cristo e a pressa da igreja - 2Pe.3.9,11-12.

André Filipe, Aefe

“O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento (...) Vivam de maneira santa e piedosa, esperando o dia de Deus e apressando a sua vinda” - 2Pe.3.9,11-12.

Dizem que um noivado dura alguns meses e uma eternidade. A brincadeira diz respeito ao aumento da expectativa dos noivos na medida em que vai chegando o dia do casamento, e o último mês parece não acabar! Essa é a expectativa própria do encontro de pessoas que se amam. A segunda carta de Pedro parece nos apresentar, em uma linguagem poética, uma maneira como Cristo e sua igreja estão em ardente expectativa pelo encontro definitivo.
Em 2Pe.3.9, Pedro responde àqueles que diziam que Cristo estava demorando a retornar. Teria o Cristo esquecido de sua igreja? Pedro mostra que Jesus, na verdade, ao contrário de estar indiferente à sua igreja, Cristo possui grande paciência para aguardar que todos os eleitos recebam o Espírito Santo por meio da pregação da Palavra. O que Pedro quer nos mostrar é que Cristo não volta enquanto sua igreja não esteja completa. Cristo não volta enquanto o evangelho não for pregado em todos os povos. Há uma ardente expectativa de Cristo pelo avanço do evangelho, e não uma indolência para retornar.
Da mesma maneira, o seu povo não fica amortecido. Por sua vez, a igreja espera também com grande expectativa pelo retorno de seu Noivo, e ela faz isso vivendo uma vida santa e piedosa (2Pe.3.11-12). Esta vida piedosa diz respeito não apenas à questão moral, mas também à intensa atividade de evangelização no mundo. Quando a igreja evangeliza e envia missionários, e quando pessoas no mundo todo se arrependem, o evangelho vai sendo completado e, em linguagem poética, o retorno de Cristo é apressado! Enquanto prega, o crente está com um olho no mundo e um olho nos céus, pois cada alma convertida a Cristo é um vislumbre do retorno de Jesus.
É claro que nenhum dos comprados pelo sangue de Cristo irá se perder. O que Pedro está nos mostrando é o coração de um noivo e de uma noiva com grande expectativa para o reencontro. Ele, aguardando pacientemente pela noiva, e a noiva trabalhando arduamente para estar pronta para as bodas! Isso são missões. Cristo aguarda com ardente paciência a evangelização mundial, e a igreja trabalha com ardente pressa pelo grande encontro. É essa a visão e o coração de uma igreja missionária.

15/08/14

A dignidade do evangelho no trabalho - Ef.4.28


André Filipe Aefe

“O que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade” - Ef. 4:28

Willie Sutton foi um lendário assaltante a banco dos EUA, a quem um dia perguntaram: “Por que você rouba bancos?”, e reza a lenda que ele respondeu: “Porque é lá que está o dinheiro”.
Os meios inescrupulosos de acumular dinheiro são apenas algumas das características do velho homem, descritas pelo apóstolo Paulo. Agora, ele nos mostra três profundas sentenças sobre a dignidade do evangelho no trabalho, a contrapartida do roubo para aqueles que foram alcançados pela graça.
A primeira sentença nos ordena a abraçar a justiça. Ela diz: “O que furtava não furte mais”. Me parece que há uma parcela de evangélicos que não entendeu isso. Quantos têm trazido vergonha ao evangelho, sendo constrangidos em roubos! Todavia, indo para além do roubo criminal, o “não furtes mais”, que é um eco dos dez mandamentos, aponta para uma justiça que nos leva a não trabalharmos aquém de nossas forças, roubando nossos chefes. Ou, por outro lado, não pagar um salário indigno, roubando nossos funcionários.
A segunda sentença nos ordena a abraçar a produtividade: “antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos”. A solução para o roubo é o trabalho. Mas o apóstolo vai além. O trabalho também possui um aspecto positivo, devemos fazer “algo de útil com as mãos”. O nosso trabalho deve produzir coisas boas para o mundo. Temos que ter consciência do fruto do nosso trabalho sem estarmos alienados, pois o trabalho não é apenas a solução para o roubo ou para o sustento pessoal, mas é também o meio pelo qual o Senhor providencia coisas boas para o mundo através do seu povo.

A terceira sentença vai ainda mais profundo no propósito social do trabalho: “para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade”. O trabalho do cristão não é apenas a contrapartida para o roubo, nem tem apenas como propósito a produção de coisas boas para a sociedade, mas é a solução para a pobreza daqueles que não tiveram a mesma oportunidade. Ou seja, o que ganhamos com o nosso trabalho não é para acúmulo de capital ou construção de um reino pessoal, mas para o auxílio circunstancial do próximo. Quando o evangelho nos transforma, nós abandonamos o consumismo materialista e abraçamos a generosidade.