OBS.4s: observações quadradas para um mundo redondo sobre um Deus triúno!
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25/01/2011

AÉFES E JOTAPÊS

AÉFES E JOTAPÊS[1]

Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo. 1 Co 12.27

Minha igreja é feita de vários tipos de pessoas e é fácil identificar extremos. Um extremo que gostaria de citar é o dos Aéfes e Jotapês.

O primeiro é sonhador, têm os pés na lua, é empolgado. O segundo é mais centrado, têm os pés no chão e pensa muito (muito mesmo) antes de tomar qualquer atitude. Um é emoção o outro é razão.

Aéfes acreditam que tudo é possível é só começar. Jotapês também acreditam que tudo é possível, mas não começam sem ter a certeza que tudo foi pensado e calculado.

Precisamos de Aéfes e Jotapês.

Aéfes, com sua capacidade de sonhar, conseguem enxergar além das dificuldades, mas precisam dos Jotapês justamente porque estes enxergam as dificuldades.

Jotapês estão sempre prontos, mas precisam de Aéfes para dar um empurrãozinho.

Louvado seja nosso Deus pelos Aéfes e Jotapês de nossa igreja.



[1] Os nomes citados neste texto são fictícios e meramente ilustrativos. Qualquer semelhança é mera coincidência.

30/12/2010

O centro da vontade de Deus

Este é um texto encomendado (rsrs). Pediram pra escrever sobre ele e aceitei, porque, além de ser um assunto muito importante, foi a partir do meu desejo de conhecer mais sobre a vontade de Deus que minha vida tomou novo rumo.

“O centro da vontade de Deus” é uma expressão muito utilizada hoje em dia. Todos dizem que não existe lugar melhor pra estar do que “o centro da vontade de Deus”. Mas afinal onde fica isto? Qual o caminho pra se chegar lá? Tem algum atalho? Consigo chegar nesse lugar ainda vivo?

Quando Deus me chamou para o ministério fiquei meio sem rumo. Estava no meio da faculdade de engenharia elétrica e acreditava que estava “no centro da vontade de Deus”, pois tinha paz no meu coração em relação ao curso que estava fazendo. Gostava, me dava bem nas matérias e tudo ia muito bem. Mas o Senhor me incomodou e me disse claramente que a alegria que sentiria vendo a finalização de uma usina hidroelétrica (naquela época ainda não estagiava na VA Tech) nunca se compararia àquela alegria que estava sentindo (quando vi a conversão de um amigo meu).


Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Lucas 15.7


A partir de então, comecei a tentar entender a vontade de Deus e buscá-lo. Foi um tempo gostoso; comecei a ler mais a bíblia e buscar mais a Deus. Tomei gosto pela leitura. O primeiro livro que li foi “O mistério da vontade de Deus”. Acreditava que ao terminar de ler eu teria uma resposta sobre pra onde ir ou o que fazer, mas não aconteceu. Li muito a bíblia nesse período e também orei bastante. Mas não encontrava resposta e esta busca me parecia um pouco vazia e sem sentido. Percebi que a intenção do meu coração era ter uma resposta, porque não conseguia viver com ansiedade de não saber o que Deus queria de mim e o que Ele faria da minha vida.

A maneira como me achegava a Deus era algo do tipo:

— Deus pra onde eu vou?

E ele me dizia:

— Vamos por aqui e...

Antes de Ele terminar de dar as instruções já seguia o meu caminho, sozinho, até que dava com a cara no muro. Então voltava pra Deus de novo e perguntava já meio bravo:

— O Senhor não disse que era por aqui?

— Disse, mas você me interrompeu no meio da conversa! Era para a gente ir junto e a gente tinha que ter virado à esquerda umas três quadras atrás.

Foi então que entendi que o “centro da vontade de Deus” não é um lugar a se chegar, mas um caminho a ser percorrido. Um caminho a ser percorrido com Ele. Percebi que Ele não me dava todas as respostas de uma vez pra que assim eu ficasse sempre próximo dEle pra perguntar sobre o próximo passo e manter um relacionamento constante e permitir que nossa intimidade crescesse.

Muitas vezes este caminho está escuro e não conseguimos enxergar onde dar o próximo passo. E devemos entender que é assim a vida de quem é nascido do Espírito.


O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito. João 3.8


Pode ser que nesse caminho tenha obstáculos. Mas termos a certeza que Ele estará conosco neste caminho. E realmente não existe lugar melhor pra se estar do que “no caminho da vontade de Deus”.

Que o nosso Deus nos ajude a ter uma vida de devoção constante e fiel!

26/10/2010

A cosmovisão nossa de cada dia

Cosmovisão é um conjunto de pressuposições que sustentamos sobre a formação básica do nosso mundo[1], ou seja, é a maneira como cada pessoa enxerga e explica o mundo e seus acontecimentos.

Cada pessoa possui uma cosmovisão diferente (até mesmo pessoas de mesma cultura, religião, raça, etc.), pois sua maneira de ver o mundo é formatada, também, a partir de suas experiências pessoais.

No estudo de antropologia cultural aplicado à missão, vemos a importância de buscar compreender a cosmovisão dos povos e etnias que desejamos trabalhar para que a mensagem do Evangelho responda, para esta cultura, perguntas como: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Por que estou aqui?

À medida que a pessoa envelhece as pessoas se apegam cada vez mais em sua cosmovisão e, dificilmente, conseguirá alterá-la.

Na maneira cristã de ver o mundo acreditamos que o Espírito Santo, em sua ação regeneradora, é capaz de alterar a cosmovisão do homem (ser humano).

Ok. Isto foi apenas uma introdução sobre o que é cosmovisão. Agora tentarei apresentar como a cosmovisão pode atrapalhar meu relacionamento com Deus.

A cosmovisão, em si, não é ruim e não atrapalha. O problema está no apego à nossa maneira de ver o mundo de forma que a deixamos enrijecida e sem abertura para alterá-la. Existem alguns aspectos da cosmovisão que, de fato, não podemos alterar ou substituir, mas a inflexibilidade desta pode impedir que avancemos no conhecimento do Senhor.

Percebi nestes últimos anos, lendo a Bíblia, ouvindo sermões, palestras ou estudando, que minha cosmovisão, formada durante os meus 27 anos de vida me atrapalhou um pouco na minha capacidade de perceber algo novo (seja de uma pregação ou da leitura da Palavra).

Tudo que leio, ouço, vejo, percebo ou penso, passa pelo crivo da minha cosmovisão e então compreendo as informações a partir da minha própria cosmovisão. E é aí que mora o perigo.

Paulo adverte em sua carta aos romanos que não devemos viver como vivem as pessoas deste mundo, mas [deixar] que Deus [nos] transforme por meio de uma completa mudança da [nossa] mente. Continuando no versículo Paulo afirma que: Assim [conheceremos] a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a Ele.

Creio que para o crescimento no relacionamento com Deus devemos entender o mundo à partir da Bíblia. Esforçar-nos para deixar nossa “bagagem cultural” (como dizem os antropológicos) de lado e estudar a Bíblia pela Bíblia. E que ao lermos a Palavra, ouvir uma pregação ou o que for, não a interpretemos conforme nossa maneira de ver o mundo, mas conforme a cosmovisão Bíblica.



[1] MONERGISMO. O que é uma cosmovisão? – Extraído e adaptado de O Universo ao Lado, James W. Sire, Editora Hagnos, 2004. Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/cosmovisao/o-que-cosmovisao_sire.pdf

08/09/2010

Anunciando quem Jesus É!

Outro dia estava na fila do RU (Restaurante Universitário) e, como toda universidade, tinha lá um pessoal fazendo divulgação.

Quando vi, achei que se tratava de mais uma festa, mas na verdade era a divulgação de um congresso de Engenharia Mecânica e, por incrível que pareça, estava sendo divulgado por uma mulher.

O que mais me chamou a atenção não foi o fato de a divulgação ser feita por uma mulher, mas sim o slogan, ou melhor, a forma como ela divulgava o congresso. Ela entregava uns panfletos e dizia: “Venha participar. Além de mim terão mais 50 mulheres da engenharia mecânica”.

Sem entrar no mérito de isto ser verdade ou mentira o que me intrigou foi a motivação que aquela menina estava oferecendo para os possíveis participantes. Participar de um congresso de Engenharia Mecânica porque terá mulher? Será que o congresso não seria bom o bastante? Será que o que deveria nos atrair ao congresso seriam as mulheres e não as palestras? Será que as palestras seriam tão ruins que deveríamos ser atraídos pelas mulheres que estariam no evento? Que palestras vão ter? Que assunto será tratado? O que mais posso saber sobre o evento?

Da mesma forma, às vezes vejo a proclamação do Evangelho por algumas pessoas. Jesus não é mais o principal personagem da história. O que está sendo anunciado é o que Ele pode fazer por nós e o que podemos receber dEle. Anunciam: “Venham a Cristo e Ele poderá te dar isto ou aquilo”. Sim, Ele pode te dar bens! “Aceitem a Jesus e Ele te fartará”. Sim, Ele pode te fartar! “Só Jesus pode te perdoar”. Sim, isto é verdade! “Se você quiser ir para o céu tem que acreditar em Jesus”. Sim, isto também é verdade!

Mas quem é Jesus? Jesus não é só um meio para adquirirmos nossos desejos e saciarmos nossa sede (seja ela do que for). Jesus é a própria fonte. Ele é nosso eterno Rei!

Deixo aqui um vídeo muito interessante sobre quem Ele é! Vale a pena conferir!


02/08/2010

Jesus, missionário exemplar

Quando pensamos em missão no novo testamento logo vem a nossa mente a “grande comissão” registrada em Mateus 28. Temos que ter em mente que esta passagem, tão explorada em congressos e conferências missionárias, tem sua importância, mas não é suficiente para desenvolver uma teologia bíblica da missão.

Pensando em missão no novo testamento, pode vir também a nossa mente as inúmeras histórias sobre como o evangelho foi espalhado no primeiro século. Sem dúvida os apóstolos têm grande importância nesta história e deixam-nos muitos exemplos e lições que devemos seguir para cumprir a tarefa que, graciosamente, o Senhor nos deixou, mas ainda não expressa o caráter da missão.

Para entender um pouco mais da missão de Deus no novo testamento, este texto propõe uma abordagem da missão através do exemplo de Jesus.

No capítulo 20 do Evangelho de João encontramos outra comissão. Jesus, ressurreto, encontra seus discípulos e os envia como Deus o enviara (João 20.21). Observamos, então, que o modelo da missão deve ser Jesus. Mais que um modelo é um padrão que deve ser seguido. Somos enviados para a missão assim como Jesus foi enviado por Deus.

Agora é preciso refletir sobre como é o padrão de Jesus para a missão.

A vida de Jesus, registrada nos evangelhos, reflete seu caráter e comprometimento com a missão. Através de seus ensinos, milagres, sofrimento, vemos o filho de Deus cumprindo a missão que lhe fora ordenada.

Na carta de Paulo aos filipenses encontramos um relato muito interessante de como Cristo realizou sua missão e iremos nos ater mais nesta passagem.

5Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, 6pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; 7antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, 8a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

Filipenses 2.5-8

Em amor, Jesus nasce no mundo. Apesar de ser Deus, ele não se prende a estes privilégios e escolhe vir ao mundo para cumprir a missão que lhe cabia. Neste exemplo de ação começa nossa observação da atitude de Jesus quanto à missão. Cristo dá o passo inicial da sua missão deixando uma posição de privilégios infinitos para nascer no tempo e no espaço, e se sujeitar a tudo aquilo que viria lhe acontecer. Somente dando este primeiro passo Cristo conseguiria cumprir sua missão.

Outra atitude de Cristo é esvaziar-se. Ele abre mão de tudo o que era seu por direito ao assumir a figura humana (vale lembrar que Cristo não deixou de ser Deus ao tomar esta atitude).

E Cristo não apenas deixa de lado seus privilégios e esvazia-se tornando a semelhança de homens, mas toma a forma de servo, isto é, escravo. Esta linguagem expressa intensamente a prontidão de Cristo para despojar-se de seu status tão elevado.

Para Cristo morrer, era necessário que ele fosse completamente homem, ou seja, ele se tornou verdadeiramente humano identificando-se com as pessoas que, com ele, se relacionava (“semelhança” significa mais que similaridade).

Ainda em nesta passagem lemos que Jesus se humilhou. Mais uma vez vemos um ato de sua livre atitude pessoal de se submeter totalmente à vontade de Deus. Cristo leva esta submissão às últimas conseqüências, pagando o preço por nossos pecados morrendo na cruz em nosso lugar.

Nós também, como cristãos, devemos deixar nossas posições de privilégios, seja ela qual for, para que consigamos realizar a missão que nos foi confiada. Esvaziando-nos de nós mesmos e deixando de lado nosso ego e desejos egoístas. Abrindo mão de bens, tempo, prazeres, demonstrando uma atitude altruísta. Tomando uma atitude de servo – escravo – submetendo-nos inteiramente ao nosso Senhor e estando pronto a servir o nosso próximo. Identificando com o povo que iremos servir (seja ele nosso vizinho ou um povo do outro lado do mundo). Humilhando-nos na presença de Deus e nos submetendo inteiramente a Sua vontade.

E que assim, ao cumprir a ordem de Jesus de “ir”, estejamos certos que Ele é nosso exemplo maior de missionário e lutar diariamente, pela graça de Deus, para que nossas atitudes cada vez mais sejam parecidas com a dEle.

19/06/2010

Criação e missão

Ao falarmos da criação, devemos primeiro retirar a idéia de que esta obra está presa no passado e que se concentra apenas nos relatos dos primeiros capítulos de Gênesis. É importante entender que a criação é uma ação dinâmica de Deus ao longo da história, que tem seu início no livro de Gênesis, caminha pela história presente e terá sua consumação na nova criação. Além disso, é necessário compreender a relação entre a criação e a salvação (STEUERNAGEL, 1994).

Neste sentido, este texto procura apresentar a relação da criação com a missão redentora de Deus ao longo de toda história buscando abordar seus principais aspectos nas diferentes épocas da história.

Antes, porém, é necessário apresentar um conceito de missão para que possamos desenvolver sua relação com a criação.

Primeiro devemos ter em mente que quando falamos de missão estamos falando da missio Dei (missão de Deus), ou seja, a missão é de Deus. Isto significa que a iniciativa da missão é dEle (criados no tempo) e os resultados da missão são dEle (criados para Sua glória). Significa dizer que é dEle os recursos para que a missão seja cumprida (criados com capacidades) e que dEle vem a motivação para se fazer missão (criados com amor).

A seguir, o texto foi divido em quatro partes que apresenta com um pouco mais de detalhes cada um destes aspectos da criação.

Criados no tempo

Nosso Deus é eterno. Ele é o alpha e o ômega, o início e o fim. Ele sempre existiu e irá sempre existir (Salmo 90.2). Nosso Deus tem domínio sobre o tempo e é soberano sobre ele. A história da humanidade não passa de um ponto no radar da eternidade de Deus (BELL, 2010).

Então, Deus decide criar. Deus cria os céus, o mar, as estrelas, os animais e o homem. O primeiro passo da missão é dado por Deus na criação. No início de nossa Era Deus rompe a eternidade para se relacionar com a criação. É dEle o desejo e a iniciativa de se relacionar profundamente com a criação.

É Deus quem se achega a nós sendo nós ainda pecadores (Romanos 5.8) e nós tão somente podemos amá-Lo porque Ele nos amou primeiro (1 João 4.19) tomando a iniciativa ao nos criar.

Temos que ter em mente que o relato da criação registrado em Gênesis fora escrito depois da saída do povo do Egito com o objetivo de mostrar a intenção de Deus em se relacionar com a criação. Neste ponto, Israel estava preste a entrar na terra prometida e, como uma nação que testemunharia o Senhor, deveria expressar esta intenção de Deus em se relacionar com todos os povos.

Agora, nós, em resposta a esta atitude, devemos nos voltar ao Deus da criação e nos relacionarmos com Ele em amor, humildade e confiança. E apresentar este Deus de iniciativas às pessoas que ainda não O conhece.

Criados para Sua glória

No Salmo 19 podemos observar que a criação glorifica a Deus: Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. A criação inerte glorifica a Deus, foi criada para este fim.

Da mesma forma os homens foram criados para glorificar a Deus. Nas palavras do profeta Isaías, lemos: Trazei meus filhos de longe e minhas filhas das extremidades da terra. A todos os que são chamados pelo meu nome e os que criei para a minha glória (Isaías 43.6-7).

Deus preza e tem zelo pela sua glória (PIPER, 2010). E somos chamados a viver de modo que cada atitude nossa glorifique a Deus (Colossenses 3.17) e, tendo atitudes que glorifiquem a Deus, brilhe nossa luz diante dos homens, para que eles também glorifiquem o nosso Pai que está nos céus (Mateus 5.16).

Criados com capacidades

Ao criar o homem Deus o capacitou. Ao homem foi dada a capacidade de cuidar da criação e cultivar a terra. Deus capacitou o homem com criatividade para dar nomes aos animais. E, criados a imagem e semelhança do Criador, podemos desenvolver nossas capacidades a serviço do Seu Reino.

Vem também de Deus a nossa capacidade de desenvolvermos nossa salvação, porque é Ele quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua boa vontade (Filipenses 2.11-12).

Esta verdade deve ser experimentada na nossa vida diária, reconhecendo que em nós não habita bem nenhum (Romanos 7.18) e voltarmos humildemente ao nosso Salvador, confinando que Ele pode e irá nos resgatar. E, assim, levar esta verdade ao nosso próximo, seja ele quem for.

Criados com amor

Vimos que Deus tomou a iniciativa na criação e que fez isto para Sua glória. Vimos que o Deus nos capacita para a Sua obra. Agora é importante saber que cada uma desta atitude foi tomada, por Deus, em amor.

Quando o Senhor decidiu nos criar Ele sabia o que aconteceria. Sabia que nos rebelaríamos e que o sacrifício do Seu filho seria requerido, mas mesmo assim tomou a iniciativa de nos criar. Em amor, Ele produz em nós o desejo de glorificá-Lo. Ao olharmos para cruz, devemos enxergar que o nosso Senhor estava nos amando não somente naquele momento, mas desde o início quando decidiu nos criar.

Bibliografia

PIPER, John. O zelo de Deus por sua própria glória. Disponível em: http://iprodigo.com/traducoes/o-zelo-de-deus-por-sua-propria-gloria.html. Acessado em 20 de maio de 2010.

STEUERNAGEL, Valdir. No princípio era o Verbo. Curitiba. Encontrão, 1994.

BELL, Rob. Nooma – Tree. Disponível em: http://video.google.com/videoplay?docid=-3450869311833925278#. Acessado em: 19 de maio de 2010.

23/05/2010

Esperança no sofrimento

E também nos alegramos nos sofrimentos, pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança. Romanos 5.3-4

Em última análise devemos entender que o sofrimento produzirá esperança. Vale lembrar que o sofrimento aqui apresentado pelo apóstolo Paulo não é decorrente de uma vida que desagrada a Deus ou do pecado, mas é o sofrimento por se identificar como um seguidor de Jesus. E sofrer por amor ao Senhor nos trará esperança.

Creio que esta esperança é criada no nosso coração quando passamos por estes processos apresentados nos versículos três e quatro de Romanos cinco. Primeiro devemos nos alegrar no sofrimento, acreditando identificarmos com os sofrimentos de Cristo é algo honroso e digno. E com esta alegria aguardar com paciência o resgate do Senhor que poderá vir, ou não.

Passar por estas etapas produzirá uma esperança em nós que não irá nos confundir. Enfrentar com alegria o sofrimento só é possível quando cremos que existe algo além desta vida e é lá onde está nossa esperança. Desenvolver a paciência durante o sofrimento só tem sentido quando cremos que a vida pela qual ansiamos não está neste mundo, mas na esperança de uma vida ao lado do nosso Senhor na eternidade.

Paulo nos lembra que “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” (1 Co 15.19). Precisamos, portanto, sempre trazer à memória que fomos criados para a eternidade e olhar firme para o autor e consumador da nossa fé e que assim o Senhor, nosso Deus, nos ajude a enfrentar o sofrimento com alegria, paciência e esperança.

25/04/2010

Paciência no sofrimento

E também nos alegramos nos sofrimentos, pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança. Romanos 5.3-4

Durante um período de adversidade em nossa vida muitas vezes pensamos em desistir, deixar tudo pra traz e entregar os pontos. Falta-nos paciência. Não queremos aguardar a resposta de Deus para nossa situação e ansiamos por um resgate imediato.

O apóstolo Paulo nos instrui a ter paciência em um momento de sofrimento, pois isto produzirá aprovação de Deus (conforme a Nova Tradução na Linguagem de Hoje).

É estranho pensar que a paciência é fruto do sofrimento, como se dependêssemos de sofrer para ter paciência, mas creio que o que Paulo está querendo dizer aqui é que durante o sofrimento temos a oportunidade de desenvolver a paciência.

Precisamos, portanto, desenvolver nossa confiança em Deus durante a tribulação de modo a crer que Ele é poderoso para nos tirar dela e soberano para fazer isto no Seu tempo – só assim conseguiremos ter paciência durante o sofrimento.

Podemos encontrar esta confiança nas próprias palavras do apóstolo Paulo em sua segunda carta aos coríntios: “Muitas vezes ficamos aflitos, mas não somos derrotados. Algumas vezes ficamos em dúvida, Temos muitos inimigos, mas nunca nos falta um amigo. Às vezes somos gravemente feridos, mas não somos destruídos”. Vemos que o apóstolo, de maneira nenhuma, nega o sofrimento, mas afirma que nele encontraremos o cuidado de Deus sempre presente e nisto temos a confiança de receber o consolo do Senhor necessário para desenvolver a paciência causada pelo sofrimento.

Aprendendo com os ensinos de Paulo podemos encontrar forças para superar o sofrimento encarando-o como uma oportunidade para crescer na nossa caminhada cristã com a ajuda do nosso Senhor.

14/03/2010

Alegria no sofrimento

E também nos alegramos nos sofrimentos, pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança. Romanos 5.3-4

Cristãos comprometidos com a obra missionária devem ter a consciência de que passarão por dificuldades, provações e sofrimentos. Isto não é algo que pode acontecer, mas que irá acontecer conforme alertado pelo próprio Senhor Jesus. E a forma como irão lidar com as situações adversas refletirá diretamente no seu ministério.

Através das cartas de Paulo podemos aprender um pouco como este apóstolo lidou com o sofrimento. Vemos em sua carta aos Romanos (versículo citado acima) que seu primeiro passo diante do sofrimento é se alegrar e as próximas palavras demonstram como esta atitude resulta em uma seqüência que levará à esperança.

Paulo entende que sofrer por identificar-se como um discípulo de Jesus é um privilégio e nisto ele se alegra. Em sua carta aos Filipenses o apóstolo relata: “Pois ele tem dado a vocês o privilégio de servir a Cristo, não somente crendo nele, mas também sofrendo por ele” (Filipenses 1.29).

Mais uma vez, agora na carta aos Coríntios ele diz: “Eu me alegro também com as fraquezas, os insultos, os sofrimentos, as perseguições e as dificuldades pelos quais passo por causa de Cristo. Porque, quando perco toda a minha força, então tenho a força de Cristo em mim” (2 Coríntios 12.10). Em um primeiro momento, alegrar-se no sofrimento, pode parecer loucura ou insensatez, mas continuando no mesmo versículo ele dá a razão de sua alegria em meio as dificuldades que passava. Paulo sabia que em sua fraqueza, em meio aos insultos, durante os sofrimentos, rodeado por perseguições ele receberia a força de Cristo e somente assim poderia sair vitorioso pela tribulação.

01/02/2010

O meu sustento vem do Senhor

Já tem um bom tempo que Deus está tentando me ensinar uma lição – que o meu sustento vem do Senhor – mas tenho sido duro na queda.

Durante o tempo que trabalhei como engenheiro eu não acreditava muito que o meu sustento vinha do Senhor, afinal de contas quem pagava meu salário no final do mês era a empresa. Sabia que meu emprego era provisão de Deus, mas não conseguia dizer de todo o meu coração que o meu sustento vinha do Senhor.

E é exatamente esta questão do sustento que fez com que eu adiasse por tanto tempo a minha decisão de deixar o emprego e me preparar para o campo missionário. Não se tratava apenas de acreditar que Deus poderia me sustentar, mas existia ainda um orgulho que precisava ser quebrado – voltar a ser dependente não era algo que aceitava facilmente.

Confesso que quando, finalmente, tomei a decisão de sair do emprego ainda não acreditava inteiramente que o meu sustento viria do Senhor, porque sabia que minhas economias dariam para me sustentar por uns meses pelo menos até conseguir uma bolsa no mestrado.

Agora, no final de janeiro fez um ano que saí do trabalho e a bolsa do mestrado ainda não chegou (e parece que nem vai chegar) e, graças à paciência de Deus em ensinar esta lição, tenho aprendido que o meu sustento vem do Senhor. Pra deixar claro isto Deus permitiu que a bolsa do mestrado nunca saísse, levantou amigos que não imaginava para me sustentar e pessoas que nem sequer me conheciam direito para me apoiar.

A lição ainda não está toda aprendida. Aprendi que o meu sustento sempre veio do Senhor e que o meu sustento vem do Senhor, mas triste confesso que ainda é difícil acreditar que o meu sustento virá do Senhor.

Que o Senhor nos ajude a acreditar cada dia mais que o nosso sustendo veio, vem e virá do Senhor!

03/01/2010

Quem quer ser um milionário?

Quem não gostaria de ser um milionário? Quem não gostaria de não ter que se preocupar com dinheiro e ter o bastante para gastar como e quando quiser? Apesar de ser um sonho aparentemente inalcançável, insistimos na busca por adquirir mais e mais. Vivemos em um mundo onde consumir e nos satisfazer é o objetivo final da nossa vida. Em tempos assim é preciso retornar à palavra de Deus e reaprender o que a Bíblia diz sobre o dinheiro e o seu uso.

Vamos ver o que um rei sábio e muito rico nos aconselha a respeito:

“Não te fadigues para seres rico; não apliques nisso a tua inteligência. Porventura fitarás os teus olhos naquilo que não é nada? Pois certamente a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus” Provérbios 23.4,5.

Que nosso Deus nos ajude a aplicar nossas forças e inteligência para a expansão do Seu Reino!

29/11/2009

Larguei tudo?

Outro dia fui surpreendido por uma pergunta de um amigo da época da faculdade que acabara de me adicionar no MSN: É verdade que você largou tudo?

Parei, pensei um pouco e respondi: Não não! Larguei o emprego!

Esta pergunta me fez pensar...

Quem dera meu emprego fosse tudo o que Deus exigisse de mim. Quem dera abrir mão de um trabalho fosse tudo, mas não é!

Deus quer tudo de mim!

Minhas fortalezas e minhas fraquezas.

Meu orgulho e minha humildade.

Meus medos e coragens.

Meus sonhos e pesadelos.

Minhas tristezas e alegrias.

Deus quer minha vida!

Pois quem põe os seus próprios interesses em primeiro lugar nunca terá a vida verdadeira; mas quem esquece a si mesmo por minha [Jesus] causa e por causa do evangelho terá a vida verdadeira.

Evangelho de Marcos capítulo 8 versículo 35

03/11/2009

Vida eterna? Pra que? Por quê?

Paraíso, céu, vida eterna. Estes são termos comuns nos nossos dias, quer você seja crente ou não. Afinal, pra que serve o céu? Por que eu deveria me preocupar em ir pra lá?

Considero muito importante estas perguntas, pois ela pode revelar muito sobre nosso relacionamento com Deus.

Gostaria que antes que você continuasse a ler este texto, respondesse estas perguntas sinceramente (não pense em qual é a resposta certa, mas em qual é a sua resposta).

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Muitas respostas podem ter surgido em sua mente e não sou eu quem vai julgá-las, mas gostaria de compartilhar algumas respostas que já dei a estas perguntas e talvez você se identifique com algumas delas:

— Ah... Porque é melhor ir pro céu do que ir pro inferno!

— Porque no céu todos serão felizes, não terá mais doenças, etc...

Vejam bem, estas respostas não estão erradas, ou melhor, elas não são mentiras – são verdades. Mas será que é isto que deve nos motivar a ir pro céu?

Sinto-me forçado a afirmar que se as únicas motivações que nos fazem desejar o céu são estas creio que dificilmente estaremos lá pra saber como que é.

Antes de expressar, o que creio eu, qual seria a motivação que deve gerar em nós o desejo de ir pro paraíso devemos definir primeiro o que é a vida eterna.

“Esta é a vida eterna: que Te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

Oração de Jesus registrada no capítulo 17 do evangelho de João.

Podemos concluir então que vida eterna é conhecer a Deus e a Jesus Cristo. E por isso que é eterna, pois passaremos a eternidade inteira buscando conhecê-Lo.

Permitam-me chegar à conclusão de que o que deve nos motivar a ir para o céu é o desejo de conhecer a Deus e a Jesus Cristo voltando ao relacionamento pleno com Ele.

E este desejo deve começar agora, ainda em vida!

É interessante notar ainda, que este é o desejo de Deus – de voltarmos ao relacionamento pleno com nosso Criador – e Ele escreveu a história de forma perfeita para que um dia isto se cumpra.

Não escrevi este texto para que, agora, você tenha a resposta correta a estas perguntas, mas pra que a cada dia você permita que Deus sonde o seu coração e revele qual tem sido sua motivação de viver a eternidade ao lado dEle e assim inicie, aqui e diariamente, a busca pelo conhecimento de Deus.

Que Deus nos ajude a colocar as motivações corretas no nosso coração.

04/10/2009

O importante é...

Não me importa se no relato da criação os dias eram dias de 24 horas ou dias-eras, mas o importante é que existe um Deus Criador.

Não me importa se o Jardim do Éden era mesmo aqui na Terra ou em outra dimensão, mas o importante é que existe um Deus Relacional.

Não me importa se o dilúvio inundou a terra toda ou só uma região, mas o importante é que existe um Deus Justo.

Não me importa se o Mar Vermelho abriu mesmo no meio ou se era apenas uma estiagem, mas o importante é que existe um Deus Livrador.

Não me importa se a história de Jonas está no sentido figurado ou literal, mas o importante é que existe um Deus de Segunda Chance.

Não me importa se o livro de Apocalipse era uma profecia para época ou sempre atual, o importante é que existe um Deus que Reina.

Não me importa se Jesus morreu por todos ou por alguns, mas o importante é que existe um Deus Salvador.

06/09/2009

Chamados

No final do evangelho de Mateus temos a chamada grande comissão que é a ordem de Jesus para ir por todo o mundo e fazer discípulos de todas as nações.

Sei que esta passagem é clara e não nos deixa dúvida sobre nossas obrigações como discípulos de Jesus, mas vamos compreender uma outra dimensão desta ordem.

Uma coisa que tenho aprendido aqui no CEM é que a Bíblia foi escrita com um propósito primeiro de atingir às pessoas de sua época e, pela sabedoria de Deus, ela é ainda viva e eficaz para nossos dias.

Então vamos entender, primeiro, o que significava ser discípulo na época de Jesus.

Todo judeu acredita que a Torá (os cinco primeiros livros da nossa Bíblia que significa: ensino, instrução ou simplesmente “o caminho”) era o centro, a base de suas vidas e era o enfoque do seu sistema educacional. A maioria das crianças judias com cerca de seis anos entravam na escola para aprender a Torá e se reuniam na sinagoga e eram ensinados por um rabino (o professor local da Torá). Este primeiro nível de ensino era chamado de beit sefer e durava até as crianças completarem dez anos. No beit sefer eles memorizavam a Torá e aos dez anos, seus ensinamentos estavam gravados em seus corações. Terminando o beit sefer a maioria das crianças saiam da escola e começavam a aprender o ofício e negócios de suas famílias, mas os melhores dos melhores continuavam estudando e a educação deles prosseguia para o próximo nível: o beit Talmud. No beit Talmud, os que demonstravam uma aptidão natural, memorizavam os demais livros da Escritura Hebraica (Gênesis a Malaquias). Aos 14 ou 15 anos eles terminavam o beit Talmud e a maioria deles também já tinha aprendido um pouco sobre o ofício da família, mas os melhores dos melhores dos melhores prosseguiam ao próximo nível de educação, o chamado beit midrash. Para este próximo passo eles iam até um rabino e pedia pra se tornarem um dos seus discípulos. Então, o rabino os testaria fazendo perguntas sobre a Torá, sobre os profetas, sobre tradições orais, porque o que o rabino queria saber era: “Este rapas pode sentar-se à minha frente? Ele pode fazer o que eu faço? Será que ele pode divulgar a minha maneira de interpretar as Escrituras? Será que ele tem o que eu preciso?” Então o rabino testaria o rapaz com algumas perguntas. E se ele achasse que o jovem era bom, que amava a Deus, amava a Torá, mas que o jovem não era o melhor dos melhores o rabino diria ao rapaz: “Vejo que você ama a Deus e conhece a Torá, mas não tem as qualidades para ser meu discípulo”. E o rabino diria algo assim: “Vai e continue estudando os negócios de sua família. Continue a praticar o ofício da família”. Mas, se ele tivesse as qualidades necessárias, então o rabino diria ao rapaz: “Venha. Siga-me”. Então, este garoto de 14 ou 15 anos deixaria sua família, amigos, a sinagoga, o vilarejo e dedicaria sua vida inteira a ser como aquele rabino, aprender a agir como o rabino. Isso é o que significa ser discípulo.[1]

Tiago e João é encontrado por Jesus enquanto estavam pescando com seu pai (Zebedeu), possivelmente estavam seguindo o ofício de suas famílias por não serem bons suficientes para se tornar um rabino. Mas então, Jesus (o melhor dos rabinos) chega a eles e diz: “Venha. Siga-me”. Jesus, com estas simples palavras, estava dizendo: “Vocês podem fazer o que eu faço. Vocês podem ser como eu”.

Trazendo agora para nossos dias podemos entender o chamado a fazer discípulo não apenas como uma ordem a trazer pessoas para nossa religião, mas como o dever de fazer com que outras pessoas venham a se tornarem como Cristo.

Se você é um discípulo de Jesus você deve imitá-lo e acreditar que isto é possível, pois um dia você foi escolhido por Ele para ser um discípulo[2]. E como discípulo de Jesus você deve fazer outros discípulos. Deve resgatar pessoas do fatalismo de sua vida mostrando que ele pode ser como a pessoa mais extraordinária que este mundo já conheceu – Jesus – pois Ele mesmo as escolheu, mesmo conhecendo nossa condição[3].



[1] Parágrafo baseado no vídeo de Rob Bell – Nooma 008 – Dust.

[2] Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda. João 15.16.

[3] Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos... Efésios 2.4-5.

03/08/2009

Humanização x Desumanização

Outro dia escutei uma coisa que não me entrou direito na cabeça e pensando a respeito resolvi escrever este texto.

Ouvi que, ao contrário do que o mundo anda dizendo sobre humanização, temos que nos desumanizar. Não me lembro direito das palavras, mas era algo como: nos tornarmos mais divinos. Creio que a pessoa que disse talvez tenha apenas se enganado nos termos utilizados, mas vale a pena pensar sobre o assunto.

Afinal, somos chamados para a humanização ou desumanização?

Vamos pensar sobre o que a Bíblia diz.

Vemos logo no inicio, no livro de Gênesis, o relato da criação. Deus vai criando o universo, a Terra, plantas, animais e sempre ao final de cada relato o autor acrescenta: “e viu Deus que era bom”. É interessante notar que após a criação do homem – ser humano – Deus diz não apenas que era bom, mas muito bom, ou seja, Deus criou o homem com o propósito de ser humano – e não celeste ou divino, para isto já existem os anjos e Ele.

Mas este primeiro homem colocou tudo a perder desobedecendo a Deus e permitindo a entrada do pecado e da morte no mundo e quebrando o relacionamento com Deus.

Foi necessário, então, a vinda de um outro único homem – Jesus Cristo – para restabelecer o relacionamento de Deus com o homem e se apresentar como o modelo de homem perfeito a ser seguido[1].

Não quero com este texto tirar a responsabilidade nossa pela busca diária e constante pela santificação, mas tirar o jugo de que temos que ser “divinos”.


[1] “Assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio de um único homem muitos serão feitos justos” (Rm 5.19).

05/07/2009

Conhecer a Deus e fugir da idolatria

A Bíblia é clara ao condenar qualquer tipo de idolatria. Vemos em suas páginas declarações de um único Deus que é Criador, Senhor e Salvador da humanidade. Ele é Deus e não divide sua glória com ninguém. Não por egoísmo, mas porque Ele pode! (Certo Aefe? rsrs).

Em algumas religiões percebe-se a idolatria de forma clara, já em outras nem tanto.

Nós, protestantes, nos orgulhamos por servir a um único Deus e nos gabamos por não ter este pecado escancarado nos nossos templos, mas construímos no nosso interior ídolos que colocam Deus, não em segundo, mas muitas vezes em terceiro ou quarto lugar em nossa vida. Colocamos pastores, grupos de louvor, igrejas, amigos, cônjuges nos altares que construímos em nosso coração. Este tema e estes ídolos já tem sido, graças a Deus, levantado em nosso meio para nos advertir quanto ao seu perigo (então não será tratado neste texto), mas gostaria de tratar aqui um outro tipo de idolatria. A idolatria a “Deus”.

No início da carta de Paulo aos Romanos o apóstolo condena os que possuem a revelação de Deus e não O adoram, mas constroem para si imagens do que, para eles, seria digno de adoração. No versículo 23 do primeiro capítulo de Romanos diz ... e mudaram a glória de Deus incorruptível em semelhança de imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Não vemos hoje, em nossas igrejas, imagens como estas, pois não temos a coragem de esculpir nosso “Deus” pois talvez ele se pareceria mais com o “Deus” criado por nossa mente do que o Deus revelado nas escrituras. Por vezes temos o atrevimento de “moldar” Deus de acordo com nossas necessidades e carências. Construímos um “Deus” que nos sirva, que atenda nossos desejos e que, acima de tudo, nos aceite como somos – sem a necessidade de nos transformar. Edificamos um altar para um “Deus” que nos convém e semanalmente entramos em nossos templos para o adorar.

Quem dera nosso “Deus” estivesse esculpido em cima de um altar em nossos templos, talvez assim conseguiríamos enxergar nosso pecado e nos arrepender dele e voltaríamos para o verdadeiro Deus revelado nas Escrituras.

Que através de uma vida dedicada à leitura e estudo da Palavra possamos voltar a adorar o nosso Deus desconhecido.

08/06/2009

Missão Integral

Extraído da mesa redonda do Fórum Jovem de Missão Integral - 2007

Pergunta dirigida à mesa: Dentro da compreensão de missão integral, geralmente se fala sobre a questão do pobre e do excluído. Mas é possível a gente, como igreja, também ter uma abordagem em relação àqueles que são ricos ou que não são excluídos ou não são pobres? Isto ainda é missão integral uma vez que aquelas pessoas são pobres, são excluídas mas todo este sistema de opressão ele, de certa forma, é feito uma manutenção dele por meio de pessoas que detém o poder e detém o dinheiro?

Resposta do pastor Ed René Kivitz:

Eu me aventuro na resposta.

E acho a pergunta extremamente inteligente e relevante pra nós estabelecermos alguns critérios básicos aqui nesse Fórum de Missão Integral.

Porque ela é uma pergunta que afeta diretamente nosso conceito de evangelização. E de alguma forma nós herdamos um conceito de evangelização onde a evangelização é o anúncio de uma mensagem. E com todo respeito aos nossos irmãos, uma mensagem que foi traduzida em quatro leis espirituais.

Evangelizar, para nós, é sinônimo de evangelismo pessoal. Evangelizar, para nós, é sinônimo de oferta de uma salvação individual, pós-morte, onde você começa dizendo que o camarada é pecador, mas que Deus o ama, tem um propósito para vida dele e se ele aceitar Jesus como salvador pessoal ele vai pro céu. Isso é evangelizar. Entretanto, este conceito de evangelização é absolutamente estranho às páginas da Bíblia Sagrada e do Novo Testamento. Porque evangelizar é não anunciar uma mensagem, mas é anunciar a chegada de uma realidade: o Reino de Deus chegou e o Rei chegou junto com ele. Ou: o Rei chegou e se o Rei chegou o Reino chegou junto com Ele.

Evangelizar é levar ao homem integral nas suas relações integrais com a existência a realidade do Reino de Deus e não uma mensagem. É levar o Reino. É dizer ao ser humano coletivo, ao ser humano em coletividade: o Reino de Deus chegou!

Quando eu anuncio isso, para o pobre é uma boa nova, para o rico é uma péssima nova. Para o pobre é “Ah! Então chegou o Rei Justo! Que vai promover a Justiça! Que vai trazer a Paz! Que vai trazer reconciliação! Que vai olhar para aquele que está oprimido! Que vai trazer libertação! Que vai trazer a cura nas suas asas! Ah! Chegou o Rei?”. Chegou! “Chegou o Rei que vai destronar os poderosos? Chegou o Rei que vai derrubar os altivos? Chegou o Rei que vai promover definitivamente a vontade de Deus na Terra como ela é feita no céu?” Ahh, para alguns isso é uma péssima notícia.

Por isso é que quando os discípulos de João Batista perguntam: “És tu aquele que havíamos de esperar?”. Jesus responde: “Voltem e digam a João Batista o que é que vocês estão VENDO”.

Porque a chegada do evangelho, da boa nova, é a chegada do Reino. E o Reino não é uma coisa que a gente escuta a respeito; o Reino é uma coisa que a gente vê. E Jesus disse assim: “Voltem e anunciem o que vocês estão VENDO!”.

O Rei chegou! Os aleijados andam, os cegos vêem, os leprosos são purificados, os presos são libertos e aos pobres é anunciado a boa notícia. É a notícia do ano aceitável do senhor, o ano das dívidas perdoadas. Os credores não gostam desta notícia; só os devedores gostam desta notícia.

Por isso, a missão integral não é o que o Ari (Ariovaldo Ramos) estava falando ontem à noite. Não se confunda missão integral com cesta básica e ação social. A missão integral é levar o evangelho todo para o homem todo. O homem em suas circunstâncias. É anunciar a chegada do Reino de Deus; isto é evangelizar. E demonstrar com palavras e obras que esse Reino está presente.

Nesse sentido, ao pobre é promover a sua libertação, é promover a sua dignidade humana, é promover a sua condição de ser criado a imagem e semelhança de Deus. E ao rico, é convidá-lo a converter-se à Justiça do Reino; que em termos práticos é converter-se ao pobre e a causa do pobre. Não é convidar o rico pra deixar de ser rico, é convidar o rico pra que ele manipule a riqueza não como se fosse sua, mas como uma riqueza que pertence a Deus e, portanto, pertence a todos e não somente a ele, rico.

Então você está certo porque essa sua pergunta nos ajuda a corrigir uma possível distorção: que missão integral é a mobilização da igreja na direção ao pobre. Não, missão integral é a mobilização da igreja para que ela seja uma evidência, um sinal histórico de que o Reino de Deus está presente e que diante deste Reino presente o pobre tem um posicionamento a assumir e o rico tem um posicionamento a assumir. Um posicionamento ao Rei e ao Reino que Ele trouxe.

11/05/2009

O caminho também é estreito

A salvação em Jesus oferecida por nós, cristãos, hoje, é muitas vezes apresentada como um estilo de vida prazeroso onde conseguiremos tudo aquilo que queremos. E fazer uma apelos para as pessoas virem à Cristo com base naquilo que elas já estão querendo faz 1Co 2.14[1] não ter sentido (John Piper). E dizer que isto lhes custará apenas cinco minutos de suas vidas (respondendo “sim” à algumas perguntas) é a pior mentira que podemos contar – isto lhes custará a vida toda (Paul David Washer).

Portanto, não podemos oferecer uma salvação como se fosse algo que, aceitando, lhes dão o “direito” de ir pro céu quando morrer. Pois, com posse dela, continuarão a viver a vida como se nada tivesse acontecido, como se não ocorresse nenhuma mudança continuarão a desejar as mesmas coisas que dantes, as mesmas aspirações que o mundo anseia; não colocando o Reino de Deus e Sua justiça em primeiro lugar.

Na proposta de vida oferecida por Jesus em Mateus 7.13-14[2] Ele deixa claro que existe uma porta estreita e um caminho apertado. Não podemos oferecer um sem apresentar o outro. Entendo a passagem pela porta estreita como sendo o momento de nossa conversão; e é estreita no sentido da dificuldade que temos em nos render à Jesus e Seu amor, quebrando em nossos corações todos nossos conceitos já formados sobre a vida, reconhecendo que somos pecadores, arrependendo de nossa rebelião contra Deus e colocando nossa esperança e confiança somente no Senhor.

Já o caminho é a nova vida que iremos trilhar após passar pela porta e Jesus diz que este também é estreito. Compreendo este andar por caminho estreito como as dificuldades, sofrimentos, provações e privações que passamos por seguir a Cristo. Podemos passar por dificuldades em nossa vida por outros motivos e circunstâncias, como: pecado e disciplina; e devemos saber discerni-las.

Termino este texto com outras palavras de Paul David Washer sobre os dois ministérios básicos em missão:

“Ou você é chamado para descer o poço ou você é chamado para segurar a corda para aqueles que vão descer, de qualquer modo deveria haver cicatrizes em sua mão... onde estão suas cicatrizes? Quanto te custa ser cristão?”


[1] Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não podem entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

[2] Entrai pela porta estreita, porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.

12/04/2009

Do bem ou do mal?

Você é "do bem" ou "do mal"?

Creio que estas duas expressões são simples demais para nos classificar. Porém, se tenho que escolher uma, sem falsa modéstia e com toda certeza, diria que sou do mal. Luto diariamente contra o mal que habita em mim – o pecado residente – e na maioria das vezes perco a luta. E por traz de minhas “boas obras” existe quase sempre um sentimento de orgulho; meus “atos nobres” por vezes são motivados pela autopromoção; meu amor pelos desfavorecidos é quase sempre acompanhado por ódio dos opressores; não poucas vezes considero-me melhor que muita gente.

A Bíblia diz que todos pecaram e carecem da glória de Deus[1]. Ou seja, eu pequei e você pecou. Eu peco e você peca! Dessa forma encaixamos todos no time do mal. A linha que divide o bem e o mal não está entre “nós” e “eles”, mas passa através de todos[2].

Mas, como disse no começo, “do bem” e “do mal” é simples demais para nos classificar. A Bíblia faz uma classificação diferente: “os que nasceram de novo” e “os que não nasceram de novo”; ou ainda: “os nascidos do espírito” e “os nascidos da carne”[3]. É necessário, portanto, um novo nascimento, um começar de novo. E, por mais estranho que isso possa te parecer, isto acontece na única vida que temos.

Esta obra – o novo nascimento – inicia-se em Deus. A partir do momento que o Espírito Santo atua na vida da pessoa, esta passa a se questionar sobre a vida que tem vivido e por mais honesta, integra, sincera, e alegre que possa parecer esta vida algo ainda está errado. A santidade de Deus, a pureza de Seu caráter, a intensidade de Seu amor começa a ser revelada de maneira tão concreta e racional em sua vida que se torna impossível resistir ao seu chamado e entregamos assim a nossa vida a Deus – nascendo de novo – em um ato de arrependimento por quem somos e fé em Cristo.

Mas como saber então se realmente tivemos este novo nascimento? O que, em nossas vidas, demonstram este ato?

A evidência de um novo nascimento é uma nova vida sendo vivida de acordo com os princípios instituídos por Deus revelados nas Escrituras. O que confirma um novo nascimento não é uma decisão que fizemos no passado, mas é uma decisão que fazemos todos os dias – de negar o que o mundo oferece e aceitar o que Deus tem preparado para nós. O que comprova que nossa vida foi transformada é que ela continua sendo transformada; o que demonstra que verdadeiramente nos arrependemos é que continuamos a nos arrepender; e se uma vez cremos é porque ainda acreditamos.

Ainda é válido dizer que o novo nascimento não exime a pessoa de pecar. Enquanto neste mundo, estaremos propensos a pecar, daí a razão do arrependimento contínuo.

Somos então um indivíduo que não é “do bem” ou “do mal”, mas sim “nascido de novo” ou não. E o que nos difere é um coração que ama a Deus, que ama o próximo! Ama justiça de Deus e Sua palavra. O coração que negava a existência de Deus é quebrantado e está pronto a buscar conhecer, de maneira mais íntima e continuada, o único e verdadeiro Deus.

Você é "nascido de novo" ou não?



[1] Romanos 3.23

[2] Alexander Soljenítsin

[3] João 3.3