OBS.4s: observações quadradas para um mundo redondo sobre um Deus triúno!

19/06/2010

Criação e missão

Ao falarmos da criação, devemos primeiro retirar a idéia de que esta obra está presa no passado e que se concentra apenas nos relatos dos primeiros capítulos de Gênesis. É importante entender que a criação é uma ação dinâmica de Deus ao longo da história, que tem seu início no livro de Gênesis, caminha pela história presente e terá sua consumação na nova criação. Além disso, é necessário compreender a relação entre a criação e a salvação (STEUERNAGEL, 1994).

Neste sentido, este texto procura apresentar a relação da criação com a missão redentora de Deus ao longo de toda história buscando abordar seus principais aspectos nas diferentes épocas da história.

Antes, porém, é necessário apresentar um conceito de missão para que possamos desenvolver sua relação com a criação.

Primeiro devemos ter em mente que quando falamos de missão estamos falando da missio Dei (missão de Deus), ou seja, a missão é de Deus. Isto significa que a iniciativa da missão é dEle (criados no tempo) e os resultados da missão são dEle (criados para Sua glória). Significa dizer que é dEle os recursos para que a missão seja cumprida (criados com capacidades) e que dEle vem a motivação para se fazer missão (criados com amor).

A seguir, o texto foi divido em quatro partes que apresenta com um pouco mais de detalhes cada um destes aspectos da criação.

Criados no tempo

Nosso Deus é eterno. Ele é o alpha e o ômega, o início e o fim. Ele sempre existiu e irá sempre existir (Salmo 90.2). Nosso Deus tem domínio sobre o tempo e é soberano sobre ele. A história da humanidade não passa de um ponto no radar da eternidade de Deus (BELL, 2010).

Então, Deus decide criar. Deus cria os céus, o mar, as estrelas, os animais e o homem. O primeiro passo da missão é dado por Deus na criação. No início de nossa Era Deus rompe a eternidade para se relacionar com a criação. É dEle o desejo e a iniciativa de se relacionar profundamente com a criação.

É Deus quem se achega a nós sendo nós ainda pecadores (Romanos 5.8) e nós tão somente podemos amá-Lo porque Ele nos amou primeiro (1 João 4.19) tomando a iniciativa ao nos criar.

Temos que ter em mente que o relato da criação registrado em Gênesis fora escrito depois da saída do povo do Egito com o objetivo de mostrar a intenção de Deus em se relacionar com a criação. Neste ponto, Israel estava preste a entrar na terra prometida e, como uma nação que testemunharia o Senhor, deveria expressar esta intenção de Deus em se relacionar com todos os povos.

Agora, nós, em resposta a esta atitude, devemos nos voltar ao Deus da criação e nos relacionarmos com Ele em amor, humildade e confiança. E apresentar este Deus de iniciativas às pessoas que ainda não O conhece.

Criados para Sua glória

No Salmo 19 podemos observar que a criação glorifica a Deus: Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. A criação inerte glorifica a Deus, foi criada para este fim.

Da mesma forma os homens foram criados para glorificar a Deus. Nas palavras do profeta Isaías, lemos: Trazei meus filhos de longe e minhas filhas das extremidades da terra. A todos os que são chamados pelo meu nome e os que criei para a minha glória (Isaías 43.6-7).

Deus preza e tem zelo pela sua glória (PIPER, 2010). E somos chamados a viver de modo que cada atitude nossa glorifique a Deus (Colossenses 3.17) e, tendo atitudes que glorifiquem a Deus, brilhe nossa luz diante dos homens, para que eles também glorifiquem o nosso Pai que está nos céus (Mateus 5.16).

Criados com capacidades

Ao criar o homem Deus o capacitou. Ao homem foi dada a capacidade de cuidar da criação e cultivar a terra. Deus capacitou o homem com criatividade para dar nomes aos animais. E, criados a imagem e semelhança do Criador, podemos desenvolver nossas capacidades a serviço do Seu Reino.

Vem também de Deus a nossa capacidade de desenvolvermos nossa salvação, porque é Ele quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua boa vontade (Filipenses 2.11-12).

Esta verdade deve ser experimentada na nossa vida diária, reconhecendo que em nós não habita bem nenhum (Romanos 7.18) e voltarmos humildemente ao nosso Salvador, confinando que Ele pode e irá nos resgatar. E, assim, levar esta verdade ao nosso próximo, seja ele quem for.

Criados com amor

Vimos que Deus tomou a iniciativa na criação e que fez isto para Sua glória. Vimos que o Deus nos capacita para a Sua obra. Agora é importante saber que cada uma desta atitude foi tomada, por Deus, em amor.

Quando o Senhor decidiu nos criar Ele sabia o que aconteceria. Sabia que nos rebelaríamos e que o sacrifício do Seu filho seria requerido, mas mesmo assim tomou a iniciativa de nos criar. Em amor, Ele produz em nós o desejo de glorificá-Lo. Ao olharmos para cruz, devemos enxergar que o nosso Senhor estava nos amando não somente naquele momento, mas desde o início quando decidiu nos criar.

Bibliografia

PIPER, John. O zelo de Deus por sua própria glória. Disponível em: http://iprodigo.com/traducoes/o-zelo-de-deus-por-sua-propria-gloria.html. Acessado em 20 de maio de 2010.

STEUERNAGEL, Valdir. No princípio era o Verbo. Curitiba. Encontrão, 1994.

BELL, Rob. Nooma – Tree. Disponível em: http://video.google.com/videoplay?docid=-3450869311833925278#. Acessado em: 19 de maio de 2010.

Um comentário:

André Filipe, Aefe! disse...

Excelente texto,Zeh,
muito bem organizado e esclarecedor.

Valew!
Grande abraço!