OBS.4s: observações quadradas para um mundo redondo sobre um Deus triúno!

10/11/2009

Esboço para um vocabulário de missões

Eis um breve esboço, compilado de um monte de rascunhos meus, na tentativa de delimitar e definir algumas coisas que dizem respeito a missões, tais como evangelização e missões, dons e talentos, etc etc e tal.

Missão ou missões

Uma das minhas dúvidas diz respeito à discussão sobre se usar missão, ou a missio dei, ou missões, no plural. Porém, quando tratamos daquele fim último do ser humano, do serviço cristão, do própósito do indivíduo na terra, prefiro usar missões no plural. Explico: Não gosto do uso de Missão de Deus, ou Missio Dei, pois Deus não tem missão, quem tem missão é submisso a alguém ou a alguma coisa e Deus não é submisso a ninguém, pelo contrário, Deus manda, Deus envia, Deus missiona.

Agora, mesmo que o termo no singular seja entendido como missão dada por Deus aos homens, ainda assim creio que não se encaixa, pois a premissa é de que a ordem é única para todos, mas entender o serviço cristão como um só, como uma única missão é desconsiderar a vocação e direção diferenciada e plural no meio da igreja, e abre as portas para anemizar os crentes que poderão considerar que estão "na missão" indo à igreja todos os domingos, juntando-se à manada e fazendo aquilo que chamam de adorar a Deus.

Por outro lado, possibilita o surgimento da hierarquia do ministério cristão, quando um diz: sou evangelista, sou da missão; e o outro: sou advogado na cidade em que nasci, então não sou da missão; ou, ainda: sou integralmente sustentado pelo igreja, sou da missão; e o outro: sou mantenedor financeiro, não sou da missão, mas colaboro; etc etc.

Creio, porém, que Deus tem duas ordens gerais a todos os crentes, que são:
- de Ser: Glorificar a Deus;
- de Serviço: levar outros a Glorificar a Deus.

Do ser, é da nossa identidade cristã, já o serviço é a missão, que está inteiramente ligada à identidade.

Deste modo, a forma como o indivíduou irá desenvolver este serviço, esta tarefa, é específica, é individual, e plural na igreja. Isto é, Deus não chama todos para evangelizar o mundo, mas sim ele direciona o fulano para ali para fazer aquilo, e o sicrano para lá para fazer aquiloutro.

Resumindo: Deus não tem uma missão; Deus escreveu uma história em que seu nome é glorificado em todo o nosso planeta, por toda língua, povo e nação, e por sua infinita graça, Deus usa a igreja para fazer parte deste movimento e isto através de missões (no plural) singulares e individuais dadas a cada crente.

É por isso que eu creio que missões é o conjunto do esforço da igreja, no período entre Atos 2.1-14 (evocando Isaías 11.8) e Apocalipse 7.9-11, de fazer brilhar o conhecimento da Glória de Deus por toda a terra. Missões não é uma manhã límpida com um sol brilhando, isto será a eternidade, missões é um céu estrelado numa noite escura, considerando que estas estrelas não refletem luz própria, mas são como a Lua, iluminam o mundo refletindo a luz do Sol. E a igreja é este corpo celeste.

Assim, o nosso ser, a nossa identidade, é adorá-lO, e a nossa missão, proveniente do ser, é espalhar a Glória pela terra, dirigido por Deus, de forma individual e particular, no decorrer da nossa vida. E a missão do crente é realizada como igreja, como corpo de Cristo, de forma corporativa, pelo poder do Espírito Santo. Daí que é válido falarmos um pouco dos ministérios gerais que a igreja desenvolve, ou seja, as missões da igreja, já que missões, ministério e serviço tem o mesmo sentido aqui.

Não dá para detalhar aqui, mas passarei voando por cima, de forma panorâmica, da forma como os organizei.

- Quanto às missões últimas, gerais, definidas pela necessidade humana, das quais todas as outras se adequam a elas, são:
a) Evangelização, discipulado e plantação de igrejas;
b) Pregação e ensino das Escrituras;
c) Comunhão e intervenção sócio-cultural.

- Quanto aos desafios missionários atuais, definidos pela barreira para o estabelecimento do Reino, relacionei de forma geral estes:
1) Tradução da Bíblia, pela barreira da língua;
2) Perseguição da igreja, pela barreira política, institucional ou religiosa, com riscos graves de vida;
3) Povos sem cristãos, cuja barreira é a própria ausência de quem apresente o evangelho;
4) Povos pós-cristãos, cuja barreira é o desdém, um lugar que costumo chamar de uma parede cheia de buracos, em que o evangelho já foi pregado várias vezes, mas não se firmou, pelo contrário, foi retirado todas elas por vãs filosofias de vida.
5) Igreja desmobilizada, cuja barreira é a própria igreja que não assume a vocação do serviço.

- Quanto à força missionária, é importante entendermos e estudarmos um pouco sobre vocação, direção, dons, aptidões e talentos.

Este é só um esboço para futuros estudos, e gostaria muito de ouvir contribuições para estes esquemas.

2 comentários:

Anônimo disse...

Até gostei de todo o contexto, porém o texto é cansativo, não desperta curiosidade ou a vontade de continuar a leitura. Faça textos mais objetivos e envolventes. As pessoas darão mais atenção...

Ass: Aline

André Filipe, Aefe! disse...

Olá Aline,

fico feliz que tenha lido e comentado no texto. Obrigado pela dica.

Convida vc a ler outro textos do blog e dar mais sugestões.
Este texto específico, conforme indicado no título, é um esboço. Não é um texto em si, mas um compilado de um monte de anotações por aí. Era uma semana corrida sem muita inspiração.

Obrigado e grande abraço!

Aefe!