OBS.4s: observações quadradas para um mundo redondo sobre um Deus triúno!

01/02/2009

Sai do Pé-cado!




Diariamente eu peco. Diariamente você peca. Não tem escape.
Seja fazendo algo escondido, seja omitindo um fato, seja julgando alguém, seja tendo pensamentos sujos, seja desejando algo que não é seu, você acaba pecando.

Muitas vezes, por mais que eu tente evitar, eu não consigo. E confesso, não são todas as vezes que tento resistir. Mas quando eu paro e analiso o meu pecado, eu sinto ódio de mim, e do meu próprio pecado. Dá uma sensação ruim de que eu sou totalmente controlado. A liberdade que eu possuo de escolher entre o certo e o errado, entre fazer e não fazer, no fundo só parece comprovar que eu estou mais preso ainda. O pecado é como a unha do dedão encravada, que faz você se sentir frágil e propenso a cair toda hora. É tão desagradável que você deseja arrancar logo o dedo inteiro, para se sentir leve e confortável.

Como nos desenhos animados, aparece um diabinho na orelha, que oferece pensamentos ruins, e que alimenta o lado pecador, criando na pessoa o Mr. Hyde e a transformando em alguém que Deus deveria sentir vergonha de amar. Esta é a questão: o fato de resistirmos ou não a um pecado depende de quem nós alimentamos: o bem ou o mal. Os dois estão famintos! É uma guerra diária travada dentro do nosso ser. Quem costuma vencer dentro de você?

Há um relato engraçado, contado por Santo Agostinho em sua obra “As Confissões de Santo Agostinho”, em que ele diz que durante a sua juventude (aos 16 anos, mais precisamente), ele costumava roubar peras do pomar do vizinho, juntamente com seus amigos. O fato é que ele admite que não eram as peras que ele estava buscando: ele as tinha em abundância e em melhor qualidade em sua propriedade. Ele as colhia, e depois jogava fora, somente para saciar a sua maldade. Ah, e ele nem mesmo gostava de peras. Ele diz: “Se alguma tocou meus lábios, foi o meu crime que me deu sabor”.

Pedro, que em Marcos 14:31 disse a Jesus: “Ainda que seja preciso que eu morra ao teu lado, jamais te negarei!”, traiu a Jesus, de certa forma, na mesma gravidade que Judas. Em Marcos 14:71, Pedro invoca maldição divina sobre si e jura que nem mesmo conhece Jesus (Essa parte do texto de Marcos foi fornecida diretamente pelo próprio Pedro).
Mas em João 21:15-19, Jesus quebra essa maldição e restaura a vida de Pedro, que mais tarde cumpriria o que tanto queria: morrer pela pregação da vida de Jesus.

Deus não deixa de nos amar, mesmo pecando contra Ele. Pecamos quando deixamos de fazer a Sua vontade, quando nos afastamos Dele por comodidade ou por rebeldia, quando O culpamos por algo que achamos que Ele devia fazer. E nós não O surpreendemos com o nosso pecado, não o desapontamos. Ele já nos conhece, conhece nossas vidas, nossos atos passados, presentes e futuros. Ele sabe qual vai ser a sua postura, sua decisão, sua intenção.
Wayne Grudem, em seu livro Teologia Sistemática, afirma que quando pecamos, ainda que Deus não deixe de nos amar, Ele se desgosta conosco. Da mesma forma que a esposa ama o marido, o pai ama o filho e pode em certo momento se desgostar com ele. Ele se entristece e nos disciplina com o Seu amor. Em Efésios 4:30, Paulo diz que os cristãos podem entristecer o Espírito de Deus.
A questão é que ao pecarmos, nossa comunhão com Deus se interrompe. Nosso relacionamento com Ele se torna distante e vazio. Sentimo-nos incompletos e sujos.
Ou seja, ao pecar, os únicos a serem prejudicados somos nós mesmos.

Muitas vezes confundimos as conseqüências do nosso pecado. Não é porque sentimos que Deus está ausente, que Ele não está nos falando, que a nossa vida não está indo pra frente, que Ele está demorando a nos atender, que nós cometemos algum pecado. Ás vezes, ouvir o silêncio de Deus é bom. Deus usa o tempo e o espaço para nos transformar, nos amadurecer. Pode parecer que está demorando, mas o nosso tempo não é o tempo de Deus. Pode ser que Ele queira que você pare um pouquinho para refletir sobre a sua vida, suas prioridades, seus planos. Acredite, você nunca vai estar totalmente pronto, perfeito e bom. Sempre haverá a necessidade de mudança, aperfeiçoamento, crescimento espiritual. E Ele não está preocupado se isto vai interferir nos seus planos terrenos egoístas, ambiciosos. Ele está preocupado em deixar você preparado para cada passo a ser dado em sua vida. E Ele está sempre com você!

7 comentários:

Josué disse...

Excelente texto, Rael!Mandou bem também no título!

Josué disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
marcioruno disse...

Bom, creio mesmo que o pecado não distancia Deus dos homens, mas pode através dos erros humanos desapontar Deus, porém seu amor ainda assim se faz presente ao homem. Sua graça é abundante e nos dá vida.

marcioruno disse...

Concordo com a questão de que todos pecam e tem a liberdade para escolher entre o que é bom e mau. Ainda vou mais além, como mesmo escreveu Soren Kierkegaard em sua obra "O conceito de angústia", o pecado original conceituado por Santo Agostinho é desmontado, uma vez que Adão e Eva somos nós a cada dia no jardim.
Discordo na questão fatalista e predestinada de que Deus já sabe dos nossos pecados cometidos.

Israel disse...

Como assim? Então você duvida que Deus conhece o nosso íntimo, nossas intenções, nossos pecados passados, presentes e futuros? Vc discorda de que Ele já sabe como serão as coisas, mesmo que não tenham acontecido? Ele não é soberano?
Eu entendi errado?

André Filipe, Aefe! disse...

Por causa da graça de Deus, do sangue de Jesus derramado na cruz, podemos ter as unhas aparadas sem precisar arrancar o dedo!

Obrigado pelo texto! PS. gostei di títul tb'm.

Márcia Gomes disse...

Gostei muito do texto e do título, penso que o pecado deve ser um acidente de percurso em nossas vidas, como diz em Hebreus 10:26 , não podemos pecar deliberadamente, conhecemos a verdade e ela nos libertou.

a paz