
“(...) Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
(...) E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia”.
Fernando Pessoa
O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung propôs 4 figuras simbólicas para a significação humana: persona, sombra, animus e anima. Assim como um padeiro fala de coisas de Deus sem ser teólogo, me atrevo a comentar duas destas figuras simbólicas. Animus e anima, que representam, um o lado masculino na mulher e o outro, acreditem, o lado feminino no homem. Animus é a parte espiritual masculina na mulher, e anima, a alma feminina no homem, encarem!
Após superar o primeiro trauma de constatar que existe no homem um lado feminino, considerei o seguinte. Ora, foi a partir da descoberta de parentescos culturais da África na América que descobrimos que os continentes distantes eram antes um só: a pangéia. São os resquícios da África na América que nos trazem um passado de unidade continental. Seria loucura pensar que anima no homem e animus na mulher são resquícios de uma pangéia humana, o resquício de que fomos um dia uma coisa só, e que a criação do masculino e feminino é uma etapa posterior à criação humana?
Naquela que eu acredito ser a correta narração da criação humana, a narração de Gênesis de Adão e Eva, sou levado a pensar que o Varão criado no sexto dia não era um homem/masculino, como o entendemos. Afinal, para quê uso Deus criaria o sexo masculino sem o seu feminino? Mas o criou à sua imagem e semelhança: assexuado, completo, perfeito: um ser humano!
No entanto, não era bom que o homem estivesse só. A criação era bela, o humano era feliz e regozijava-se em Deus... Havia a comunhão com Deus e a adoração direta a Deus, mas a quem o humano compartilharia, num momento de profunda alegria, o quanto Deus era bom para ele? Estava só, o humano. Como Rubem Alves já perguntou num outro texto, de que vale tanta beleza estando sozinho? Imagino Adão exultando de alegria e procurando alguém para compartilhar da mesma alegria. E viu Deus que não era bom que o homem estivesse só.
Feito outro humano do barro, imagino dois seres perfeitos a regozijarem-se sozinhos, cada um em seu jardim, sem comunicação. Dois seres sem uma comunicação apaixonada... Completos somente. Porém, o sono do humano, de Adão, foi mais profundo do que imaginava... Não somente sua costela foi arrancada, mas todo o seu corpo passou por um processo de transformação, foi arrancada de si uma grande parte, parte de seu corpo, parte de sua alma, e disso outro humano fora criado. Mas não outro humano igual, e sim dois humanos diferentes, ou melhor, dois humanos de um; e o que faltava em um, completava-se no outro, e o que faltava no outro, completava-se naquele outro, e assim, fora criada não só outro ser humano, mas a eterna e cansativa busca do outro, fora criada a necessidade do outro, a comunhão; os resquícios da divisão eram como um ímã, com seu lado positivo negativo, anima e animus buscando completude. Não eram dois seres humanos, eram duas partes de um só, tanto que Adão a nomeou não com um nome diferente, mas com o seu feminino: Varão, Varoa. Ele inventou o feminino, e o feminino não é outro gênero, é a mesma coisa, diferente; é a parte do todo humano, é a parte da imagem de Deus. Homem e mulher somam a imagem de Deus.
Assim como nossa alma anseia por Deus desde que perdemos a comunhão com ele, nossa alma anseia pelo outro desde que nos separamos de nós mesmos. O humano foi dividido para que não apenas tivesse companhia, mas para que se buscassem um ao outro, para que se necessitassem, se completassem, a fim de adorar a Deus pela comunhão, e constituir família. A fim de compartilharem entre si o quanto Deus é bom para eles.
Mas isso também o pecado tirou. Após o Éden, a relação humana tornou-se de assassinato (em Caim e Abel), e de devassidão sexual (em Sodoma e Gomorra). O masculino e o feminino tornou-se defeituoso. Homem e mulher deixam não apenas de relacionar-se um com o outro de forma completa, como uma parte do outro, mas também o homem deixava de se relacionar com a própria masculinidade e a mulher com a sua feminilidade. O pecado trouxe ao homem e à mulher uma masculinidade e uma feminilidade corrompida, e à relação, trouxe concorrência, competição, opressão e separação.
O projeto de Deus na criação humana era criar uma raça humana a partir do homem e da mulher, juntos, em comunhão, o homem sendo completamente homem, e buscando na mulher sua feminilidade (anima), latente ainda dentro de si, e a mulher, sendo mulher, buscar no homem sua masculinidade (animus). Homem e mulher foram criados para comunhão, completude, igualdade e união.
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
(...) E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia”.
Fernando Pessoa
O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung propôs 4 figuras simbólicas para a significação humana: persona, sombra, animus e anima. Assim como um padeiro fala de coisas de Deus sem ser teólogo, me atrevo a comentar duas destas figuras simbólicas. Animus e anima, que representam, um o lado masculino na mulher e o outro, acreditem, o lado feminino no homem. Animus é a parte espiritual masculina na mulher, e anima, a alma feminina no homem, encarem!
Após superar o primeiro trauma de constatar que existe no homem um lado feminino, considerei o seguinte. Ora, foi a partir da descoberta de parentescos culturais da África na América que descobrimos que os continentes distantes eram antes um só: a pangéia. São os resquícios da África na América que nos trazem um passado de unidade continental. Seria loucura pensar que anima no homem e animus na mulher são resquícios de uma pangéia humana, o resquício de que fomos um dia uma coisa só, e que a criação do masculino e feminino é uma etapa posterior à criação humana?
Naquela que eu acredito ser a correta narração da criação humana, a narração de Gênesis de Adão e Eva, sou levado a pensar que o Varão criado no sexto dia não era um homem/masculino, como o entendemos. Afinal, para quê uso Deus criaria o sexo masculino sem o seu feminino? Mas o criou à sua imagem e semelhança: assexuado, completo, perfeito: um ser humano!
No entanto, não era bom que o homem estivesse só. A criação era bela, o humano era feliz e regozijava-se em Deus... Havia a comunhão com Deus e a adoração direta a Deus, mas a quem o humano compartilharia, num momento de profunda alegria, o quanto Deus era bom para ele? Estava só, o humano. Como Rubem Alves já perguntou num outro texto, de que vale tanta beleza estando sozinho? Imagino Adão exultando de alegria e procurando alguém para compartilhar da mesma alegria. E viu Deus que não era bom que o homem estivesse só.
Feito outro humano do barro, imagino dois seres perfeitos a regozijarem-se sozinhos, cada um em seu jardim, sem comunicação. Dois seres sem uma comunicação apaixonada... Completos somente. Porém, o sono do humano, de Adão, foi mais profundo do que imaginava... Não somente sua costela foi arrancada, mas todo o seu corpo passou por um processo de transformação, foi arrancada de si uma grande parte, parte de seu corpo, parte de sua alma, e disso outro humano fora criado. Mas não outro humano igual, e sim dois humanos diferentes, ou melhor, dois humanos de um; e o que faltava em um, completava-se no outro, e o que faltava no outro, completava-se naquele outro, e assim, fora criada não só outro ser humano, mas a eterna e cansativa busca do outro, fora criada a necessidade do outro, a comunhão; os resquícios da divisão eram como um ímã, com seu lado positivo negativo, anima e animus buscando completude. Não eram dois seres humanos, eram duas partes de um só, tanto que Adão a nomeou não com um nome diferente, mas com o seu feminino: Varão, Varoa. Ele inventou o feminino, e o feminino não é outro gênero, é a mesma coisa, diferente; é a parte do todo humano, é a parte da imagem de Deus. Homem e mulher somam a imagem de Deus.
Assim como nossa alma anseia por Deus desde que perdemos a comunhão com ele, nossa alma anseia pelo outro desde que nos separamos de nós mesmos. O humano foi dividido para que não apenas tivesse companhia, mas para que se buscassem um ao outro, para que se necessitassem, se completassem, a fim de adorar a Deus pela comunhão, e constituir família. A fim de compartilharem entre si o quanto Deus é bom para eles.
Mas isso também o pecado tirou. Após o Éden, a relação humana tornou-se de assassinato (em Caim e Abel), e de devassidão sexual (em Sodoma e Gomorra). O masculino e o feminino tornou-se defeituoso. Homem e mulher deixam não apenas de relacionar-se um com o outro de forma completa, como uma parte do outro, mas também o homem deixava de se relacionar com a própria masculinidade e a mulher com a sua feminilidade. O pecado trouxe ao homem e à mulher uma masculinidade e uma feminilidade corrompida, e à relação, trouxe concorrência, competição, opressão e separação.
O projeto de Deus na criação humana era criar uma raça humana a partir do homem e da mulher, juntos, em comunhão, o homem sendo completamente homem, e buscando na mulher sua feminilidade (anima), latente ainda dentro de si, e a mulher, sendo mulher, buscar no homem sua masculinidade (animus). Homem e mulher foram criados para comunhão, completude, igualdade e união.
8 comentários:
Muito bom!
É legal pensar que o relacionamento entre homem e mulher que Deus criou para nós ainda pode ser vivido e serve de amostra do que Deus tem preparado para nós!
Massa demais, Aefe!!!
=)
Obrigado!
PS: Desculpem o tamanho do texto... prometo fazê-lo menor das próximas vezes, hihih
Nossa, Aefe, que bonito...quem será que te deixou tão inspirado, hein? kkkk
Deus te abençoe!
Bjos,
Paulinha
Interessante, muito interessante mesmo. Inclusive, chega a ser um tapa de luva na cara de homens machistas, já que o homem possui uma "anima".
Só uma sugestão: poderia colocar parágrafos no texto, cansaria menos a vista.
Forte abraço a todos os Obstetras.
Jônatas, que legal o blog de vocês. Parabéns a todos.
Se cuidem...
Aefe, pq falou comigo esse negócio??
muito, muito interessante. Imprimi pra ler em casa com calma.
MarVin
Deus fez perfeitamente a atração entre o homem e a mulher. Eles se completam mesmo com as diferenças. E que diferenças! Bonito artigo, Aefe! Abs.
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