OBS.4s: observações quadradas para um mundo redondo sobre um Deus triúno!

06/04/2008

A lei do amor


Uma das coisas que sempre me fizeram chegar a um beco sem saída foi a questão de Jesus ter dito algumas vezes no Novo Testamento: Eu porém vos digo. Bem, isso realmente confundia minha cabeça. Sempre achei que isso representaria uma contradição na Bíblia, e isso seria o mais próximo que já cheguei do fim da minha fé.

Continuando a reflexão do meu texto anterior, quando disse acreditar que o cristianismo representa uma anarquia, agora eu quero fazer uma análise sobre qual seria o regime em que viveríamos, sob qual lei viveríamos. Isso pode levantar o cabelo de muitos anarquistas. Na Bíblia podemos ver que as leis foram instituídas, no Velho Testamento, para a convivência entre os seres humanos, exemplificadas pelos 10 mandamentos. E isso contrariaria a idéia de que o cristianismo é um anarquismo, já que os anarquistas vivem sem qualquer regência.

Ao ler o início do evangelho de João, vemos Deus sendo chamado de Verbo. E qual verbo seria? Não acho que foi ao acaso que João colocou essa comparação. Ele se refere a Deus como Verbo porque o próprio Deus já havia feito isso, quando fala com Moisés para ir libertar o povo. Deus, frente ao questionamento de Moisés, diz: - “É isso que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês.”. Deus se coloca como um Verbo! E o verbo ser, que é muito usado para nos distinguir: Ser Humano! O fato de Deus Ser revela uma de suas características primordiais: Deus é e não tem ou faz. Deus é amor, não tem amor; Deus é justiça, não tem justiça; Deus é o caminho, não tem o caminho. E é engraçado nós sermos referidos como seres humanos, pois além de mostrar que nós somos a imagem e semelhança de Deus, mostra que somos e não temos.

Jesus disse: - Ouvistes o que foi dito, eu, porém vos digo. Bem, Jesus, a princípio, parece estar contrariando os mandamentos. Mas, quando vemos o que Jesus diz depois, nós nos deparamos com uma situação estranha, pois o que Ele ordena que façamos não contraria a lei anterior. Além de não contrariar, Jesus imprime uma nova condição para que participemos Dele. A nova condição torna quem está sob a lei ativo e não passivo. A lei anterior era: não, não e não! A lei nova é: ame, ame e ame! Realmente nós ouvimos o que foi dito: Não, não e não. Jesus, porém, diz: Ame, ame e ame!

Tudo bem, mas nós ainda vivemos sob uma lei então. E daí? Paulo foi bem preciso quando nos diz que a lei não é feita para os justos. Pois quando nós viramos o que somos, justos, nós não precisamos de lei. A lei é o que somos feitos para ser, é fazer o que somos feitos para fazer. Quando Jesus morreu por nós, nos fez voltar a ser o que somos, nos tirou a lei porque podemos voltar a nossa essência! E qual a nossa essência? Amar a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos!

A lei do amor, que não é lei e sim o que somos!

4 comentários:

Filipe Garcia disse...

Que texto bom de ler. A cada palavra, me senti edificado e compartilhando suas dúvidas e reflexões.

Abraços

Aefe! disse...

Concluo assim a idéia do texto:
O amor é justamente o elemento de coesão entre o que sou agora com o que eu deveria ser... é isso?
Em amor, eu me ergo do baixíssimo nível que caímos com a queda ao nível de humanidade proposto por Deus, e aí, não há lei... mas anarquia, rsrsrs.

Gostei do texto. É necessário lembrar sempre que somente amando somos seres humanos!

Humberto Ramos disse...

"Que texto bom de ler", faço minhas as palavras do Filipe. Confesso que não conhecia este seu lado escritor, meu caro.

E não digo apenas pelo conteúdo, que, aliás, é Evangelho. Mas também pelo estilo da escrita. Sou fã de que sabe discorrer de forma escrita seus pensamentos e idéias.

Ótimo texto. Fico feliz em poder indicar este blog entre os meus preferidos.

Parabéns a todos.

Miriã disse...

Feitos para amar,
realizados por viver a semelhança redimida de Deus em nós!

Nunca foi tão fácil obedecer à "lei"...
É... Deus é "incrível" mesmo!

Obrigada por compartilhar... sempre!
bjos!