OBS.4s: observações quadradas para um mundo redondo sobre um Deus triúno!

05/10/2008

Oh, Deus, livra-me da preguiça!


Preguiça é um assunto que eu acho que é tabu nas igrejas, nas escolas, em todo lugar. Poucas pessoas que conheço se confessam a Deus porque tem preguiça, não se fazem sermões a respeito da preguiça, e nem vejo amigos se confessando tristemente: cara, sofro de preguiça.

No entanto, vejo que a preguiça é algo tão presente em todos nós e atrapalha tanto, ou mais, o andamento da Obra de Deus, quanto um outro pecado mais escandaloso.

A semiótica francesa, na análise narrativa, que pretende "descrever o espetáculo do homem no mundo", aponta 4 verbos que modalizam todo o fazer do homem. São o poder, o querer, o saber e o dever. Isto é, toda ação do homem envolve estes quatro verbos.
Creio que a preguiça faz com que aquilo que devemos fazer não seja feito atingindo justamente o nosso querer. Especialmente na Obra de Deus, afinal, Deus nos capacita (nos dá o poder) através do Espírito Santo, nos dá o dever, através da sua lei, e um saber, através da sua Palavra. O querer deveria vir com o amor, no entanto, é este frio amor que nos deixa na cama, encobertos pela preguiça.

A gente disfarça muito bem. Quantas vezes, ao explicar a alguém o porquê não fomos a determinado lugar, ou porquê não fizemos determinada coisa, respondemos:
- Não pude (não poder); eu não sabia (não saber); achei melhor não ir (não dever), quando, no entanto, nós não queríamos!
Ou, também, aprendemos a maquear a preguiça, tornamos ela chique, quando dizemos: "ando desanimado com a vida..."; "estou profundamente triste com esta situação, por isso fui incapaz (não poder) de fazer isto"; como se jogássemos a culpa toda no Desânimo e na Tristeza, estas entidades exteriores a nós, e nos desviamos da culpa, afinal, a preguiça, o não-querer, é coisa de dentro de nós.

Tem muita gente que fala em cuidarmos da preguiça, para não deixarmos de lado a vida devocional. Gostaria de compartilhar que caí em um pecado extremo-oposto: eu me envolvia na preguiça fazendo devocional. Eu não queria enfrentar um problema, então passava três horas fazendo devocional, para que Deus resolvesse uma coisa que Ele queria que eu resolvesse com Ele. A preguiça não está, necessariamente, em não fazer, mas às vezes é até mesmo um muito fazer. Aquele sujeito que se esconde trabalhando demais, para que ninguém o tire deste serviço pesado mas fácil, e o coloque naquele difícil e complicado: preguiça de aprender. Ou mesmo aquele que trabalha demais, com preguiça de enfrentar seus problemas em casa, ou com preguiça de ir à igreja.
Tudo isto porque, creio, o medo é o princípio da preguiça. Preguiça é covardia. Conforme André Comte-Sponville, em "Pequeno Tratado das Grandes Virtudes", muitas vezes, o contrário da coragem não é o medo, mas a preguiça!
Perceba que a preguiça muitas vezes vem de quando temos medo de enfrentar determinadas situações, e nós fugimos para o descanso, para a preguiça.
Não são vitaminas, ou água gelada, ou remédio que cura a preguiça, mas a coragem para enfrentar o dia, a vida, o cotidiano, nossa missão.




Estava pensando a respeito dos discípulos que deveriam vigiar em oração com Jesus, mas dormiram, no Getsêmani, na véspera da prisão de Cristo. Como eles poderiam dormir em um momento de tanta pressão? Deus se zanga com aquela covardia, com aquela preguiça, de não estarem vigilantes.

A preguiça deve ser enfrentada como o são os pecados mais escandalosos: com muita oração, esforço e ajuda do alto, afinal, ela nos tira de querer fazer aquilo pelo que Deus espera que façamos, ela nos põe dormindo enquanto Deus soa sangue de aflição pelos perdidos.

5 comentários:

Israel disse...

Bem, eu não sofro de preguiça... pelo menos não na maioria das vezes. Mas é um assunto sério de se tratar e que realmente nunca é falado! Cara, mas a foto do Lula tá demais, meus parabéns!

Anônimo disse...

Eu sofro disso, e tem muita gente que também sofre e desconhece. Porque como voc bem colocou, existe um ganho secundário com certos afazeres, que na verdade são fruto de uma falta de coragem de enfrentar coisas que vão dar mais trabalho ainda. Agora o tipo de esforço a ser enfrentado tem um peso diferente para cada pessoa. Muito bem exposto.
Eu sou Andrea de Viçosa, de Viçosa, sou psicóloga e de vez em quando visito o blog de vocÊs, mas não consigo postar comentários.

Aefe! disse...

Olá Andréa,

muito obrigado pelo comentário...
Ficamos feliz que vc nos visita de vez em quando. QUanto a não conseguir postar comentários, outras pessoas já reclamaram... vou tentar resolver.

Mary disse...

Boua. E eu aqui lendo blog alheio enquanto "espero vir a inspiração pra terminar o TCC", pura preguiça de enfrentar a tela do word.

Com luva de pelica, valeu. haha

Deus abençoe ai, gurizada.

Cristiano Silva disse...

Olá André,

Eu ia comentar alguma coisa deste seu belo texto, mas, sabe, deu uma preguiça agora...

Até. :-)