OBS.4s: observações quadradas para um mundo redondo sobre um Deus triúno!

11/01/2009

Reforma ou Revolta?


Estive em Goiânia esses dias e observei uma coisa muito diferente da minha realidade. Na verdade o que eu observei está se tornando cada vez mais a nossa realidade brasileira. Notei que, ao passear pela cidade, existem várias igrejas e várias denominações, mais do que imaginava existir, existem igrejas de denominações diferentes lado a lado. Achei meio estranho, pois as igrejas evangélicas crêem no mesmo Deus, então porque haver duas igrejas evangélicas, mas de denominação diferente, uma em frente da outra? Isso me incomodou bastante.

Comecei a pensar sobre a reforma que todos nós estamos cansados de saber e de ouvir. Ao lembrar do nome uma questão me veio a mente, será que Lutero gostaria de ver que o seu trabalho resultou numa febre de divisões? - Ah, se você não pensa igual eu vou abrir minha própria igreja- . Será que foi isso mesmo que Lutero fez? Simplesmente, por descontentamento abriu uma nova igreja pra ele? Acho que se fosse assim que ele pensasse o nome do movimento seria Revolta e não Reforma. Lutero lutou pela união dos cristãos, pela união dos que crêem na morte expiatória de Jesus Cristo. Tentou sentar e conversar sobre o que ele estava descobrindo na bíblia. Mas o que houve?
Perseguição, afrontas e etc.

Com o passar do tempo, virou comum termos denominações diferentes, porque afinal de contas, nossas doutrinas não convivem do jeito que deveriam, porque eu acredito que se eu pecar eu perco a salvação e você acredita que não perde. Pegamos uma tendência doente de separar e esquartejar o corpo de Cristo em vários pedacinhos a ponto de quando ouvimos um missionário presbiteriano dizendo que batizou por imersão ficamos chocados.

Gostaria que pensássemos: o que é mais importante, a união dos que acreditam em Jesus? Ou a doutrina que nos separa pontos de vista?

Com a falta de união entre os cristãos observamos cada vez mais escândalos e extremismos, porque a voz do conservador dizendo que aquilo deveria ser questionado não foi ouvida e porque a atitude do pentecostal não foi aceita. Penso que se colocássemos todos os crentes juntos numa mesma igreja (entendo por crentes: Católicos, conservadores, reformados, pentecostais, neo-pentecostais e por aí vai...) essa igreja seria a igreja com mais problemas que já existiu na face da terra, todos falando sem ouvir, todos querendo do seu jeito sem abrir mão. Daí me lembro de uma passagem de provérbios que diz que o orgulho só gera discussões, mas a sabedoria está com quem toma conselhos. Será que temos ouvido as pessoas que pensam diferente? Ou temos discutido? O problema sempre vai ser o orgulho! Vejo que essa igreja seria também a igreja com mais equilíbrio que ouvimos falar, porque passaríamos a conviver com o diferente e dosar nossas diferenças no ponto saboroso.

Porque não aprendemos com as famílias? As famílias são compostas inicialmente por duas pessoas totalmente diferentes, mas que andam juntas e tem o momento de brigas e conflitos e continuam juntas. E quem disse que conflitos não são bons? É dos conflitos que surge o equilíbrio. E o que vemos hoje são coisas desequilibradas como intolerância com uma bateria ou intolerância contra o certinho! Tudo isso porque as partes não foram ouvidas, não ouve amor suficiente que pudesse deixá-las juntas.

Particularmente, eu possuo uma enorme dificuldade em lidar com um tipo de crente. Mas acredito piamente que devo insistir na relação entre os diferentes, pois sem ela o ministério de reconciliação do nosso Senhor Jesus Cristo foi em vão.

E então? Vamos nos unir?

3 comentários:

Israel disse...

Esse é um texto que nos faz refletir, Mala. Muito bom!
A questão que eu acho é que cada seminário tem uma teologia "diferente", que é passada para pastores de realidades diferentes, que interpretam a mensagem de forma diferente, que pregam à igreja da forma que pensam e que ensinam no seminário do ponto-de-vista que acreditam. É um ciclo!
Penso que cada cristão tem sua forma de ver, acreditar. Não somos iguais. Mas o que vale mesmo para Deus, creio eu, é o nosso relacionamento, a forma como lidamos uns com os outros, superando e aceitando as diferenças religiosas e sociais. Para mim, Deus não está nem aí para a religião! Ele quer amor, intimidade, sinceridade! Religião requer regras, conceitos e nos torna de certa forma presos. Deus requer amor, relacionamento e nos fornece liberdade para isso!
As igrejas de hoje em dia são para mim instituições, financeiras ou políticas. Nelas, há hierarquia, busca de poder, de estrelismo e não o desejo de louvor e contato real com Deus. A igreja está dentro de cada um de nós, nos nossos corações. É onde Deus está! Se há dezenas de pessoas reunidas em um edifício com cara de igreja, cruz na parede acima do púlpito, uma administração, dízimos, etc, não quer dizer que Deus está ali. Hernandes Dias Lopes diz que a igreja é o templo de habitação do Espírito. Essa igreja não é uma denominação, mas todos aqueles que foram lavados e remidos pelo sangue do Cordeiro.

Marcio disse...

É interessante a reflexão Jonatas. Parabens. Mas também não podemos nos esquecer que a reforma reivindicava o livre exame e interpretação da Bíblia. Com isso, temos a criação de diversas doutrinas e interpretações sobre Deus.
Creio que o problema é quando as filosofias, doutrinas, interpretações separam a humanidade, irmandade e o respeito entre as pessoas.

Jônatas - Mala disse...

Sim e eu vejo que a reforma trouxe coisas boas. Mas acredito que a intenção de lutero fosse continuar na igreja mas fazer ela diferente.