OBS.4s: observações quadradas para um mundo redondo sobre um Deus triúno!

05/01/2009



Theo veio ao mundo num dia não muito agradável. Seus pais haviam acabado de ter uma briga quando sua mãe sentiu as contrações na barriga muito intensas. Seu pai já estava na porta para sair de casa, mas decidiu voltar e socorrer sua esposa. Levou-a correndo ao hospital público da cidade e, para variar, demorou a serem atendidos. O homem gritava descontrolado pelos corredores, para que ela fosse logo atendida. Assim que veio o médico sem nenhuma pressa, encaminhou-a até a sala de parto.
Alguns minutos depois nascia Theo, um bebê saudável e bonito. Os pais estavam contentes, mas com um sentimento de vazio também.
Como não houve nenhuma visita de familiares, os pais não tardaram muito para voltar para casa.

Theo era filho único. Estava sempre sozinho. Ele costumava sumir de casa de vez em quando. Era um garoto que vivia por si só, chorando alto por dentro. Mas ninguém o escutava. Seu pai se dedicava totalmente ao trabalho e sua mãe tinha sempre uma reunião, um passeio com as amigas. Theo não tinha com quem conversar, não costumava sorrir e não sonhava com o futuro.
Certo dia ele resolveu cavar um buraco no quintal de sua casa, para se esconder e chamar atenção. Mas raramente tinha êxito.
Dezenas de crianças brincavam e gritavam de alegria na rua, bem em frente à sua casa. Mas ninguém notava Theo. Estava acompanhado, mas permanecia sozinho.
Theo não via graça em viver.
Entrou pela porta de casa, passou pela sala, onde sua mãe bordava e seu pai assistia a um jogo de futebol no volume máximo e foi ao banheiro tomar banho. Horas se passaram quando seu pai notou que seu filho estava gastando uma nota com desperdício de água. Entrou no banheiro, que estava com a porta destrancada e viu o que jamais esperava. Theo boiava na banheira, que transbordava água para todos os lados. A mesma intensidade de água que tanto escorreu de seus olhos vazios. Foi quando o coração de seu pai estremeceu, acendendo um sentimento escondido por todos os anos.

Durante toda a noite, os pais de Theo não conseguiam dormir e nem mesmo olhar um para o outro, aos prantos. Todos os dias, o pai tentava consolar a mãe, que estava fora de controle. Nenhum deles entendia a decisão de Theo. Nenhum deles enxergava a dor do menino. E era tarde demais.
Eles só queriam que seu filho soubesse que eles o amavam. Mas não tinha mais como saber. Theo se foi para sempre.
Há tanta coisa que podia ser dita a Theo. Mas já é tarde.
Podíamos dizer que Jesus o ama, que Ele se importa com ele. Mas agora é impossível. Theo não pode mais nos ouvir. E nós também nunca tentamos lhe falar. Theo agora está perdido. E nós perdemos a chance de lhe avisar.
Mas pode não ser tarde demais para um Theo.
Há tantos Theos por aí. Há um Theo bem ao seu lado. E você nem imagina o que ele sente. Porque você nunca ousou perguntar.
Conte para ele. Fale do amor de Jesus e que Ele se preocupa com cada um. Que Ele quer cuidar e ter um relacionamento. Conte logo. Amanhã esse Theo pode não aparecer mais.
Porque o menino Theodoro, que quer dizer “dádiva do Senhor”, continua perdido e sozinho, sofrendo amargamente por causa do seu silêncio.


A CABANA - RECOMENDAÇÃO ESPECIAL

Não quero usar este blog para fazer propaganda ou analisar obras, mas neste caso, tenho que abrir uma exceção.

O último livro que li no ano de 2008 foi A Cabana. Está no topo dos mais vendidos do Brasil, segundo a Revista Veja.
Já li muitos livros durante a minha vida. De todos os gêneros. Mas A Cabana me comoveu completamente. A sinopse é simples, mas o que se passa no decorrer do livro é surpreendente. Não vou contar a estória aqui. Espero que você a leia por completo. O fato é que o que o livro me deixou, eu não posso deixar de contar.
Eu agora tenho uma visão totalmente diferente de Deus, de Jesus e até mesmo do Espírito Santo em relação ao que eu tinha antes de ler este livro. Eles parecem mais acessíveis, mais reais e mais presentes. Eu agora sinto um desejo muito maior de ir logo para o céu, pois a forma, a visão que o livro demonstra de como deve ser o céu, é fascinante. Talvez não seja assim, mas talvez seja. Os diálogos, a tensão, a emoção, envolve até mesmo o de coração mais duro. O livro mostra como lidarmos com os nossos problemas, como nos relacionarmos uns com os outros e principalmente com Deus, o Papai. Não se trata de um livro de auto-ajuda. Mas de qualquer forma, ensina, esclarece e motiva. De acordo com o autor, a narrativa é baseada em fatos reais. Tudo aconteceu com um grande amigo dele. Sinceramente, não sei se acredito em tudo, mas também não duvido. Não há provas, mas você acaba realmente desejando acreditar.
Não só indico, mas peço a cada leitor deste blog que vá comprar este livro.

O autor do livro é formado em Teologia pela Universidade de Oregon, EUA. Filho de missionários canadenses, cresceu em Papua Nova Guiné.
Como sua mãe, as editoras evangélicas norte-americanas acharam o livro herético. Já as editoras seculares acharam que o livro falava demais sobre Jesus. Seus amigos, então, criaram uma editora excepcionalmente para lançar o livro, que ficou 20 semanas na lista dos mais vendidos, de acordo com The New York Times. Já foi traduzido para 36 idiomas e vendeu mais de 4 milhões de exemplares em todo o mundo.

Não estou aqui levando em conta cada detalhe do livro, se é herético ou não. Há momentos em que você vai achar que o autor está passando dos limites da imaginação. Mas francamente, como um todo, o livro me aproximou 1 Km de Deus.

PS: Nany, obrigado por este grande presente.

8 comentários:

André Filipe, Aefe! disse...

Olá Rael,

Belo texto e obrigado pela dica do livro.
Mas, os dois textos me fizeram pensar numa coisa, de como a ficção é importante da vida das pessoas, e de como as editoras evangélicas têm negligenciado este grande produto de transformação de corações.
O inimigo tem se usado largamente disso para fazer a mente e o coração das pessoas, através das novelas, dos filmes e de livros como o de Paulo Coelho!

Falta-nos cristãos que escrevam ficção, e editoras solícitas a publicá-los, e leitores, que possam encontrar na ficção também uma forma de edificação, como você bem colocou sobre A Cabana, e como me aconteceu ao ler sobre Theo.

Parece que há um certo preconceito, no meio evangélico, a este respeito, de que história de mentiras não valem e é pecado.

Grade abraço e parabéns pelo texto.

Israel disse...

Pois é Aefe, é isso mesmo! As editoras e produtoras de filmes não dão oportunidades à ficção com teor cristão. E livros e televisão são as formas mais eficazes que conheço em termos de influência, depois da fala direta, claro. Um grande autor que conheço neste meio é Frank Peretti (como William Young, é também canadense), que usa a aventura, o suspense e um certo humor como ferramentas para nos aproximar de Deus em suas obras como Este Mundo Tenebroso, O Pacto e As Aventuras de Alan e Lila. Eu amo ler ficção e acredito que tais livros me impactam muito mais do que ficar lendo teologia pura. Sabe por que? Porque com a ficção eu me sinto envolvido, eu entro e me encaixo no contexto da estória.

Josué disse...

Excelente texto, Rael! Tá aí mais uma área em que Deus quer reconciliar consigo mesmo!

Colossenses 1.15-20:
1 - 15 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;
1 - 16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.
1 - 17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.
1 - 18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,
1 - 19 porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude
1 - 20 e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, RECONCILIASSE CONSIGO MESMO TODAS AS COISAS, quer sobre a terra, quer nos céus.

Cristiano Silva disse...

Olá Aefe,

Se fosse combinado, não seria tão sincronizado: estava pensando justamente nestes assuntos que você comentou, dentro do contexto da "imaginação cristã" (ou da falta dela).

Este era o assunto que eu disse que iria comentar futuramente no meu blog, e que para isso tinha adquirido O Deus que se revela de Schaeffer. Vou tentar fazê-lo o quanto antes.

Muito legal a dica deste livro A Cabana, vou procurar saber mais sobre isso.

Abraços (ainda esperando a publicação da trilogia sci-fi do Lewis!)

André Filipe, Aefe! disse...

Olá Cristiano!

Vou aguardar ansioso seu post sobre a ficção cristã.
Caso não conheçam, recomendo o blog:
http://www.ficcaoevangelica.blogspot.com/

Falando no Schaffer, acabei de encontrar aqui em casa o Deus que se revela, e o Deus que intervem... são do meu pai, mas cao queira o Deus que intervem emprestado, estarei levando para SP... O outro "a morte da razão", acho que vou lê-lo primeiro, que tem na biblioteca do Mack, e é o primeiro da trilogia...

grande abraço a todos!

PS. Façamos um Manisfeto pela ficção evangélica !!! hahahah brincadeira! Acho que o maior problema não é só a falta de escritores (ou da imaginação) mas a de leitores também! Para uma explosão de literatura evangélica de ficção seria necessário um boom cultural entre os evangélicos!

André Filipe, Aefe! disse...

Opa! mais um comentário: dêem uma olhada no que este blog fala sobre A Cabana
http://ficcaoevangelica.blogspot.com/search/label/William%20P.%20Young

e no que o Eugene Peterson disse:
"Este livro tem o potencial de fazer com a nossa geração o que O Peregrino de John Bunyan fez para a sua. É muito bom."
Eugene Peterson

Cristiano Silva disse...

Sinto muito, mas dizer que o livro tem o potencial de ser um "novo" O Peregrino já soa para mim meio exagerado hehehehehe

Sobre o termo "ficção evangélica", e já adiantando um pouco do que pretendia falar no meu blog, o que eu estava pensando mesmo eram cristãos fazendo ficção, e não necessariamente sob um rótulo "evangélico" ou "gospel". Não vejo, por exemplo, a trilogia sci-fi de Lewis, ou mesmo suas Crônicas de Nárnia, como livros "evangélicos", mesmo que use alegorias e temas cristãos. Nem as próprias livrarias pensam deste jeito.

Cristiano Silva disse...

Só para complementar: acho que o melhor exemplo disso que falei acima é do Tolkien: cristão convicto (católico praticante), que criou toda uma ficção não-religiosa, mas que mesmo assim defende as melhores virtudes.

Sobre os livros do Schaeffer, não se preocupe de trazer, pois nem iria conseguir ler agora. Creio que a CEP (cuja loja é láááá longe) irá republicá-los logo ;-)