OBS.4s: observações quadradas para um mundo redondo sobre um Deus triúno!

25/05/2009

Memórias de um f.d.p.


É possível reconhecer um filho de pastor no momento exato em que ele nasce. Basta ir à maternidade e reparar na multidão de senhoras da SAF olhando pela vitrine ou dando um monte de babador que elas mesmas bordaram. A esposa do pastor, obviamente, tem que se mostrar super disposta em recebê-las e com aquele sorriso, para não ficar uma situação desagradável. Mas acaba sendo um momento gostoso, pois se percebe o amor da igreja pelo pastor e sua família.
No domingo após o nascimento de seu filho, o pastor e sua mulher têm certeza que ao entrarem no portão da igreja, aquele monte de mulheres, de todas as idades irá avançar em cima do bebê, só para ver como ele é ou está. E o pastor sabe também que se ele não for firme, ele não vai chegar nunca ao púlpito para começar o culto. Na hora do culto, quem está no banco da frente ou de trás da esposa do pastor, não para de se oferecer para segurar o bebê.
Não importa para quantas igrejas o pastor se mude, para quantas igrejas o pastor é convidado a pregar, sempre haverá mulheres inteiramente dispostas a segurar e cuidar de seu filho, como se ele fosse delas.
Quando o filho do pastor começa a crescer, ao mesmo tempo começa a indicar como será a reputação do próprio pai. Bem, de duas uma: ou vai ser aquele filho de pastor exemplar, que sabe a Bíblia tanto quanto o pai e que é um líder da UCP, depois UPA e ainda mais UMP ou vai ser aquele que o pai tem que pedir pros diáconos irem procurá-lo porque ele sumiu antes mesmo do culto ter começado, aquele que o pai tem que interromper a pregação para chamar sua atenção e pedir desculpas aos irmãos da igreja, aquele menino que envergonha os presbíteros e que os faz se perguntar como pode existir um filho de pastor assim. A saúde da vida ministerial do pastor depende muito de como será o perfil, a personalidade, o caráter, a índole de seu filho. E a saúde física e emocional dele também está em jogo. Até porque quem vai correr pelo pátio da igreja atrás do menino é ele. E quem vai ouvir as reclamações dos diáconos e presbíteros também é ele.
A questão é: e o fdp, o que sente? Qual é o peso dessa responsabilidade de ser O filho do pastor? Isso ajuda ou atrapalha a vida dele?
Geralmente filho de pastor é bem sociável ou pelo menos cumprimenta todo mundo. Não que ele goste de todo mundo, mas tem que aparentar que sim, afinal ele é o filho do pastor.
Quando o filho do pastor é muito tímido, é muito provável que as pessoas cheguem a ele. Por quê? Parece que todos querem saber como ele é, como se sente, e até mesmo o que acha da igreja. Se ele não vai a eles, eles vão a ele. É mais ou menos assim.
Algo realmente muito chato é que nas aulas da escola dominical ou em qualquer gincana bíblica, quando o professor faz a pergunta e ninguém sabe, todos os olhos caem sobre o fdp como se ele tivesse a obrigação de saber a Bíblia, só porque é filho de pastor. Ah, e geralmente ele é chamado para orar em todas as aulas. Pode ser apenas uma impressão, mas parece que o professor da escola bíblica também espera mais do pastorzinho. Tanto em comportamento quanto em conhecimento.
Saindo um pouco do domingo, durante a semana, todo bom pastor fica na igreja para estudar ou para conversar com irmãos que com certeza sempre aparecem por lá. E quem ele leva junto? O seu tão bem falado filho. A igreja vazia, aquele silêncio, um sol de torrar, o pai concentrado no escritório e o fdp sem saber o que fazer. Poxa, assim também fica difícil. Ou ele mexe nas coisas do templo ou fica parado sem fazer nada.

Quando o fdp se torna adolescente, parece que as cobranças mudam e aumentam relativamente. A partir daí ele tem que mudar de postura, ser mais responsável e de certa forma ser um exemplo aos outros adolescentes. Filho adolescente de pastor é uma criatura complicada. Ele sabe o peso que tem nas costas e ao mesmo tempo parece que ele não quer assumir esse peso propositalmente. Ele sabe que é obrigado a ter uma posição que influencie os outros para o bem. Por isso geralmente filho de pastor aparenta ser rebelde. É uma forma de autodefesa, uma demonstração de que ele não tem o dever de assumir o cargo. Isso é fato. E ele faz questão de mostrar isso primeiramente ao pai, o pastor da igreja. De certa forma, ser filho de pastor é uma responsabilidade injusta, pois ele já nasce com uma cobrança formada, sem ter culpa de nada. Muitos imaginam que por ser o filho do pastor, ele tem que ser ou aparentar um santo. Mas acaba acontecendo o contrário. E os problemas não ocorrem somente na igreja, mas intensamente na casa do pastor, que cobra do filho um comportamento exemplar. O pastor, na verdade se encontra numa linha bem dividida: o lado do filho, que ele bem entende, mas não aceita, e o lado da igreja, que ele tem que aceitar. A questão é que a igreja não enxerga nem o lado do pastor, nem muito menos o de seu filho. Eles querem ver tudo certo, tudo pronto e bonito, embora sempre haja algo para reclamar.
O lado bom da estória é que a maioria dos filhos de pastor consegue lidar com isso, então acabam cooperando para o bem da igreja e do próximo. Mas claro, sempre com uma pitada de cobrança e olhares feios quando erram em algum momento. É bom ser chamado para participar de todas ou quase todas as peças teatrais da igreja, organizar eventos aos sábados para as crianças, apoiar na organização dos acampamentos e muitas vezes ser popular mesmo sem ter feito nada para merecer.
O que também é muito bom é que praticamente em todos os domingos a família inteira do pastor é convidada para almoçar na casa de um irmão ou irmã da igreja. Após o culto da manhã eles sabem que vai ter comida diferente na casa em que foram convidados. E passam a tarde lá. Enquanto os pais conversam com os donos da casa (os homens sobre teologia e as mulheres sobre o passado, experiências como mães e casos engraçados do dia-a-dia), os filhos dos dois lados brincam, conversam e fazem aquela bagunça na rua. No final sempre sai alguém chorando. No final da tarde todos se preparam para voltar ao culto da noite. E o filho do pastor sabe que ele será um dos últimos a ir embora, o que o deixa feliz, já que vai poder ficar brincando até mais tarde no pátio da igreja.
Ser o filho do pastor não é uma brincadeira, nem um detalhe qualquer. Se exige maturidade e ás vezes ser o que não se é ou o que não se quer ser. Mas ao mesmo tempo traz crescimento e boas lembranças no futuro para aqueles que souberam lidar com isso. Sinceramente, creio que é mais difícil para o pastor ser pai do filho do pastor do que para o próprio filho do pastor ser filho do pastor. Por quê? Pergunta pro seu pai.


PS: Dedico este texto especialmente aos jovens da IPH, igreja na qual é caracterizada por ter uma membresia formada em sua maioria por filhos de pastor. Tratei aqui de experiências pessoais, mas espero que cada um se identifique com ao menos um aspecto descrito.

5 comentários:

Ariovaldo Jr disse...

É a realidade. Já tenho pena de meus filhos que ainda nem nasceram!

Fernando disse...

Bom texto! Bem real. Muitos FDP não sabem lidar com isso.

Anônimo disse...

Concordo em genero, numero e grau!
Sou FDP, NDP (nora de pastor), MDP (mulher de pastor) e MFDP (mae de filho de pastor)!!!
Mas é importante dizer que em tudo isso é essencialmente abençoado todos os que estao em volta do pastor!!

Ibnéias Costa da Silva disse...

Consigo me enxergar na maioria das situações expostas acima. Realmente não é fácil ser um FDP, afinal nem mesmo o suborno (bajulação excessiva que recebemos em muitos casos) compensa a cobrança brutal (filho de pastor tem que ser mais “santo” do que o pastor, já que não tem o mesmo poder que esse para se defender em seus erros).

木村拓哉kimura disse...

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